O engenheiro que viaja para fotografar

Adriano Neves é o único português finalista dos prémios mundiais de fotografia da Sony. Concorre com uma imagem da Patagónia

Há pouco mais de um ano Adriano Neves sentou-se na mesa destinada aos portugueses na gala dos Sony World Photography Awards (SWPA) num hotel em Londres. E foi receber o prémio nacional. Ou seja, foi o português entre todos os que concorreram que, na opinião do júri deste concurso, mandou a melhor fotografia: uma aurora boreal registada durante uma viagem à Islândia. Ontem este engenheiro civil de 35 anos voltou a ser notícia pelas suas fotografias (e, já agora, pelas suas viagens). Está na shortlist dos SWPA com uma imagem da Patagónia, no Chile.

A categoria a que concorre é Open Travel. E viajar é aquilo que tanto gosta de fazer. "Não, não ando sempre com a máquina. Não tenho o hábito de fazer fotografias de rua, só nos sítios para onde viajo. Saio para fotografar." Ou melhor, viaja para fotografar. "Já faço há muitos anos viagens grandes para este tipo de fotografia mais pensada", diz ao DN. Admite que não é necessário "ir até ao outro lado do mundo para fazer boas fotos", até porque tem conseguido fazer boas fotografias "ao pé de casa, em Lisboa". Mas "há sítios que têm condições mais preferenciais para fazer fotos fantásticas".

Fotografia de aurora boreal deu a Adriano Neves o prémio nacional na edição de 2015

Como a Patagónia. "Estamos no Chile, na zona do Parque Nacional Torres del Paine. No centro da foto vê-se o lago resultante das neves e dos glaciares que se veem ao fundo nas montanhas, veem-se os céus fabulosos que estão sempre em mutação na Patagónia", descreve este fotógrafo amador, autodidata, a dar os primeiros passos como profissional (já lá vamos). A fotografia a que chamou Jardim do Éden foi tirada numa viagem que fez no início do ano (passado) em duas fases. Primeiro sozinho, à ilha de Páscoa. Depois integrado num grupo de fotógrafos à Patagónia. "É um local remoto mas muito visitado", conta.

"A testar oportunidades"

Concorreu com 20 fotografias - como foi o vencedor nacional no ano passado podia fazê-lo. Dessas, sete eram tiradas em Portugal, as restantes saíram das grandes viagens. Se a única fotografia portuguesa presente nestes prémios de âmbito mundial que contemplam profissionais e amadores sai vencedora, só a 29 de março se saberá. Por isso Adriano Neves ainda não sabe se repete a viagem até à gala, a 21 de abril, em Londres.

Desde que no ano passado se sentou na mesa-redonda do jantar de gala em que se sucederam em vários ecrãs fotografias premiadas no intervalo das entradas, do prato principal e depois da sobremesa, Adriano Neves passou a ser menos engenheiro civil e mais fotógrafo. "Já não trabalho a cem por cento em engenharia civil. Desde o final do ano passado deixei de ser diretor de obra, que era a minha profissão, e divido o meu tempo em várias áreas. Estou a testar oportunidades", conta-nos. A fotografia de arquitetura é uma das áreas a que se tem dedicado mas não tem "as portas fechadas a nada". O prémio nacional do ano passado deu-lhe bons impulsos não só a nível pessoal como de oportunidades. "Continuo a divertir-me a fotografar", diz ele.

Portugal duplica participação

Este ano os portugueses enviaram 2500 fotografias para o SWPA - quase o dobro do ano passado, segundo a organização. No total, entraram a concurso 230 103 imagens de 186 países. Há cinco portugueses na lista dos 50 melhores fotógrafos do mundo em várias categorias: João Figueiredo (Viagens), Diogo Oliveira (Viagens), Pessoa Neto (Arquitetura). Entre os jovens, Beatriz Rocha (Ambiente) e Alexandra Vaz Casimiro (Cultura). Uma distinção sem direito a prémio.

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