O desperdício de um jovem ator

"Homem-Aranha:Regresso a Casa", de Jon Watts

É uma evidência geral que a criatividade já não acompanha a multiplicação das sagas de super-heróis. Nem mesmo com a mudança de atores.

Homem-Aranha: Regresso a Casa chega-nos como um exemplo bem ilustrativo disso mesmo, pisando uma fórmula narrativa (que já é mais uma questão técnica do que outra coisa) e desaproveitando o novo ator, Tom Holland, com a maior das puerilidades.

Neste filme, Peter Parker é um rapaz de 15 anos que anda a treinar o futuro como super-herói, lançando teias aqui e ali, entre as aulas e os vislumbres da rapariga por quem está apaixonado.

Pelo meio aparece um vilão mais sofisticado, Vulture (Michael Keaton), que lhe dará a oportunidade de mostrar do que é capaz... E Parker, ou melhor, Tom Holland seria bem capaz de nos mostrar o seu verdadeiro brilho se lhe tivessem escrito algumas coisas inteligentes para dizer.

Classificação: * (medíocre)

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Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.