O clarinetista Woody Allen faz de Lisboa uma Nova Orleães

Quando a banda do cineasta, a New Orleans Jazz, descobriu o sucesso dos espetáculos na Europa não mais deixou de fazer digressões por aqui, onde tocam velhos temas quase esquecidos.

O último concerto de Woody Allen em Portugal já leva vários anos, por isso mesmo o público que aprecia o realizador de cinema enquanto instrumentista está ansioso quanto ao espetáculo - único - que o clarinetista vai dar esta terça-feira no Coliseu de Lisboa. Uma sala onde, tal como há uma década, não estará sozinho na grande sala de Lisboa mas com os seus amigos de sempre, a Woody Allen & His New Orleans Jazz Band.

Uma banda de dixieland, e de várias sonoridades das redondezas, na qual os membros que já tocam juntos há 35 anos têm uma particularidade, a de executar um repertório nunca confirmado de véspera. Ou seja, estes sete senhores optam pelo que lhes apetece interpretar entre cerca de um milhar de títulos que os estilos de Nova Orleães lhes permitem escolher e ao ritmo do que lhes está a apetecer. Portanto, aquilo que será escutado no palco lisboeta tanto pode ser um tema das canções mais populares de há um século, uma época de ouro para este som, ou outras escolhidas entre um amplo leque de espirituais, hinos, blues, marchas, entre outros. Uma única garantia é dada, todos estes temas vêm com assinatura de grandes músicos e intérpretes daquela época, que tanto pode ser a do popular Louis Armstrong, ou do especialista Sidney Bechet, bem como de Johnny Dodds, George Lewis e Jimmie Noone, entre muitos outros famosos.

A banda chega à capital portuguesa numa digressão europeia, após atuar em Londres, na mítica sala Royal Albert Hall (dia 2), onde o programa anuncia que os músicos irão apresentar composições sem um alinhamento conhecido porque desejam "manter a espontaneidade natural em cada atuação através de uma improvisação coletiva e com muita energia". Ou seja, será como se o espectador estivesse num filme de Woody Allen, onde só se sabe o que vem a seguir quando a cena acontece no ecrã.

Segundo se sabe, a lista geral de canções são escolhidas entre Woody Allen e o maestro de sempre da Woody Allen & His New Orleans Jazz Band, Eddy Davis. Allen e Davis fazem uma pré-seleção alargada e a banda acompanha o ritmo conforme o que o maestro sentir em função do ambiente.

Esta digressão europeia é uma das muitas que Woody Allen, Eddy Davis e os restantes cinco músicos descobriram após pisarem os palcos do continente europeu em 1996. Uma peregrinação que pode ser vista também num documentário sobre a banda, intitulado Wild Man Blues, que Woody Allen realizou. O filme registava a atuação dos sete membros e como era a preparação e a atuação que homenageia os grandes sucessos da música que se tocava há muitas décadas na vida noturna de Nova Orleães.

Uma banda que entre os intervalos das digressões e de filmagens do cineasta pode ser ouvida em Nova Iorque regularmente, a maior parte das vezes com a presença de Woody Allen. Mesmo que já o tenham feito perder uma noite dos Óscares em que o seu filme Meia-Noite em Paris (2011) lhe valeu a estatueta de Melhor Argumento.

Para quem não pode ir a Manhattan e ouvir na sala The Carlyle a banda, esta atuação no Coliseu de Lisboa é a melhor oportunidade para ouvir o improviso do septeto, que, segundo a organização do espetáculo lisboeta, vai ter uma sala transformada num "clube de jazz de grandes dimensões", mesmo que no seu interior não vá poder sentir e ver o "o fumo e o charme de uma certa decadência própria dos clubes, mas tudo aquilo que o público merece: músicos de enorme rigor técnico, a improvisar e a divertirem-se como se não houvesse amanhã". Acrescenta que "a energia com que Allen se entrega aos concertos, com os seus mais de 80 anos, confirma a correlação entre a música e a eterna juventude - algo comum a muitos músicos".

A banda terá Woody Allen no clarinete, Eddy Davis no banjo, Conal Fowkes no piano, Simon Wettenhall no trompete, Jerry Zigmont no trombone, John Gill na bateria e Greg Cohen no baixo.

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