Numa certa rua de Tóquio

"Rua da Vergonha", de Kenji Mizoguchi.

Cineasta das mulheres, sim. Nunca é demais lembrar a força motriz. Ao longo da sua filmografia, Mizoguchi enquadrou como ninguém uma certa superioridade feminina, que este A Rua da Vergonha (1956) torna especialmente densa. É o seu derradeiro filme (morreu no mesmo ano), e aquele que, no contágio veemente da contemporaneidade desses anos 1950, em Tóquio, transmite a desesperança mais profunda. Passado numa casa de prostitutas - ambiente que o realizador conhecia bem, como aliás outros filmes o provaram - aqui são vinculadas as narrativas individuais das mulheres que nela ganham a vida. Uma vida sem prazer, para dar prazer...

Ao invés da mundanidade, Mizoguchi quer a humanidade, e para a segurar, deixa cair um desmesurado amor sobre cada uma das personagens. Isto num filme de absoluta aridez moral e inapelável desencanto. Uma beleza fria.

Classificação: ***** (Excecional)

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