"Não deviam cobrar nada pela entrada"

Joe Berardo diz que quer estar esta segunda-feira no Museu Berardo a comprar bilhete de entrada, dando o exemplo. A partir de agora a entrada é paga.

Esta segunda-feira é o primeiro dia do resto da vida do Museu Coleção Berardo, em Lisboa. O espaço que acolhe as obras de arte do empresário Joe Berardo desde 2007 passa a ser pago, como exigiu o Estado português na renegociação do contrato de comodato. Uma entrada normal para todas as exposições passa a custar 5 euros. Contra a vontade do propriedade das obras de arte, que faz questão de ser o primeiro a comprar bilhete no dia 1 de maio.

Terminado o primeiro contrato de comodato, de 2006 até ao final do ano passado, os novos termos do acordo, com duração de seis anos, estabeleceram que a entrada no espaço de exposições no Centro Cultural de Belém, teria de ser paga já em 2017. O acordo entrou em vigor a 1 de janeiro deste ano, mas só agora, cinco meses depois de ter sido firmado, é lançada a nova bilhética. "Eu não levo nada para ter lá a coleção, não cobro um tostão, até ajudo, eles também não deviam levar nada pela entrada", afirmou o empresário, ontem, em declarações ao DN, por telefone. De junho de 2007, data oficial da abertura do museu até dezembro de 2016, a entrada tinha sido sempre gratuita. "Agora? Paciência!". Esta segunda-feira, garante, estará à porta para comprar bilhete, "dando o exemplo".

O empresário Joe Berardo diverge da estratégia adotada pelo ministério da Cultura, liderado por Luís Filipe Castro Mendes. O bilhete pago para entrar no museu "foi imposto", resume. "Depois não venham dizer que tenho razão", continua, lembrando que todos os monumentos e locais de interesse em torno do Centro Cultural de Belém estão nas mãos do Estado. "O Museu Nacional dos Coches, a Torre de Belém...".

Gratuito até domingo

O bilhete pago poderá ter repercussões no número de entradas no museu, o 65º mais visitado do mundo, segundo a lista divulgada anualmente pelo jornal The Art Newspaper e o único português que consta desta lista. Segundo a instituição, 1 006 415 visitantes estiveram nas exposições do Museu Berardo em 2016.

As entradas gratuitas mantêm-se até domingo e, a partir de 1 de maio, todos os sábados e em dias especiais. Já no dia 7 de maio, Dia da Mãe, os filhos que participarem nas atividades do museu, oferecem o bilhete à mãe. No Dia Internacional dos Museus (18 de maio) a entrada também é livro tal como no dia 1 de junho, para crianças até aos 12 anos.

Na nova bilhética do Museu Berardo, as crianças entram gratuitamente até aos seis anos, os visitantes entre os 7 e os 18 anos têm um desconto de 50%, tal como os maiores de 65 anos e as pessoas com mobilidade reduzida.

Novas exposições e diretor

Em maio, são inauguradas duas novas exposições, no âmbito da feira de arte Arco Lisboa, a decorrer de 18 a 21 de maio na Cordoaria Nacional: Pedro Neves Marques. Aprender a Viver com o Inimigo, que reúne novos filmes e peças do artista, e Ser e Estar - Vídeos da Coleção Berardo, a partir do trabalho de oito artistas representados na coleção do museu. Ambas inauguram no dia 19 de maio, às 18.30.

Pedro Neves Marques. Aprender a Viver com o Inimigo tem curadoria de Pedro Lapa, diretor do museu até abril deste ano. Pode ser vista até 17 de setembro.

Ser e Estar - Vídeos da Coleção Berardo é da responsabilidade de Rita Lougares, interinamente à frente da instituição enquanto não é escolhida a nova direção. José Berardo remete para mais tarde a nomeação e elogia a atual responsável, que está na casa "desde o princípio".

O contrato estabelecido entre Berardo e o Estado português previa o comodata de 862 obras de arte, representativas dos principais momentos e movimentos da história da arte ocidental a partir do século XX. De Picasso ao readymade, da Nova Escola de Paris ao Grupo Zero, de Andy Warhol ao núcleo de Arte Povera. O conjunto foi avaliado em 316 milhões de euros pela leiloeira Christie"s.

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