Museu do Teatro Romano conta 23 séculos da vida de Lisboa

O Museu reabre hoje, a partir das 14.00, e mais do que o teatro mostra a história local, desde o século IV a. C. até ao XIX

Não se espera que amanhã a cidade pare para a reabertura do Museu do Teatro Romano de Lisboa tal como parava quando aí se realizavam espetáculos no século I. A subida até ao princípio da Rua de São Mamede também já não tem um significado religioso nem espiritual que então significava uma ida ao teatro. Que certamente duraria uma tarde inteira, quando não um dia. Mas é certamente um bom local para descobrir algumas das páginas da história da cidade, ali apresentadas em camadas.

Não nos podemos deixar enganar pelo nome: "Procurámos que isto não fosse um museu exclusivamente dedicado ao teatro [romano], antes um museu de sítio e de história local", explica Lídia Fernandes, coordenadora do Museu do Teatro Romano de Lisboa que a partir de hoje, às 14.00, já pode ser de novo visitado, depois de ter encerrado em maio de 2013. O preço da entrada ainda poderá ser 1,5 euros pois está para aprovação em Assembleia Municipal o novo preçário de 2 euros.

O pequeno núcleo museológico que aí existia desde 2001 foi ampliado e enriquecido com informação entretanto descoberta nas escavações realizadas entre 2005 e este ano. E o teatro romano, que até então quase só se podia adivinhar entre as várias camadas que sucessivamente foram construídas por cima do monumento, está agora reduzido ao que era no século I. Apesar de agora se saber, com segurança, que já existiria antes. "A separar o palco da zona dos espetadores havia uma inscrição [recriada no interior do museu] que diz que as obras de remodelação foram mandadas fazer em 57 d. C. Ora, se são obras de remodelação quer dizia que já existia antes", refere a arqueóloga que há 25 anos acompanha os trabalhos de escavação no Teatro Romano. Mais: "As técnicas construtivas e decorativas utilizadas indicam-nos essa data".

Deixar à vista apenas o que pertence ao teatro foi uma decisão muito ponderada. "Achámos que esta era a melhor opção porque agora podemos partir para outra fase do trabalho que é tentar reconstituir em materiais leves algumas partes do teatro romano. Não porque queiramos reconstituir tudo, até porque isso implicaria a destruição de muitos prédios, mas pelo menos fazer alguma simulação", justifica Lídia Fernandes.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.