Museu de Arte Antiga forma equipa multidisciplinar para recuperar estátua de S. Miguel

A recuperação da estátua do "Arcanjo São Miguel" que, no domingo, foi derrubada por um visitante, exigirá "a constituição de uma equipa multidisciplinar", informou nesta segunda-feira a instituição

A escultura "Arcanjo São Miguel" sofreu, no domingo, "fraturas, ruturas, deslocamentos e perdas pontuais da camada de acabamento policromo", mas a recuperação da obra "é possível", informou hoje o museu, em comunicado conjunto com a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

O MNAA salienta que a recuperação desta obra de escultura do tardo-barroco de Lisboa "é possível, mas exigirá ao Museu a constituição de uma equipa multidisciplinar, para proceder à correcta intervenção sobre o objeto museológico".

De acordo com o MNAA, a escultura sofreu, pelas 12:02 de domingo, uma queda da estrutura expositiva em que se mostrava, na sala 13 do Piso 3, provocada pela forte colisão de um visitante que, caminhando de costas, fotografava outra obra em exposição na mesma sala.

"A escultura encontrava-se fixada a um plinto, protegido em todo o perímetro por um estrado. Após o impacto, os elementos de fixação mantiveram-se presos ao plinto", adianta o museu.

Em consequência do acidente - revela hoje o MNAA - soltaram-se as asas do Arcanjo e as plumas de remate do capacete militar (elementos originais aplicados à figura por encaixe).

"Na análise física e macroscópica, registam-se fraturas, ruturas, descolamentos e perdas pontuais da camada de acabamento policromo, nomeadamente na asa esquerda, plumas, braço direito, dedo indicador direito, parte traseira e ponta do manto", precisa o MNAA.

Executada em Lisboa, no período decorrente entre 1765 e 1790, em madeira de zimbro, com olhos de vidro, dourada e policromada, a escultura foi incorporada em 1922, na coleção do MNAA, vinda do espólio do Recolhimento de São Patrício, proveniente do Real Colégio de São Patrício de clérigos irlandeses que antes funcionou naquele espaço.

As entradas no MNAA são gratuitas no primeiro domingo de cada mês.

No domingo, na sequência do incidente, o Ministério da Cultura comunicou que a DGPC "vai avaliar em detalhe os danos e a necessidade de alterar a musealização da exposição, que foi inaugurada este verão, por forma a prevenir acidentes".

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