Museu da Misericórdia já tem novo tesouro

"Sagrada Família", quadro de Josefa de Óbidos, resgatado em janeiro num leilão da Sotheby's, vai hoje ser apresentado no Porto na presença do Ministro da Cultura João Soares

É como a descoberta de um tesouro. Quem entrar no Museu da Misericórdia do Porto (MMIPO) tem de percorrer um corredor, que nem faz parte do percurso habitual do visitante, até entrar numa pequena sala onde desde ontem reluz sobre a parede de fundo uma verdadeira relíquia da pintura portuguesa do século XVII.

Depois de em janeiro deste ano ter sido arrematada pela Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) pelo valor de 229 mil euros (250 mil dólares), num leilão da Sotheby's realizado em Nova Iorque, o quadro Sagrada Família com o pequeno S. João Baptista, Santa Isabel e os Anjos já deu entrada no novo MMIPO, na Rua das Flores, no Porto, onde hoje será feita a sua apresentação pública, pelas 16h00, numa sessão que contará com a presença do Ministro da Cultura, João Soares.

A obra, que acabará por ocupar um lugar de destaque na Sala da Memória do museu, onde ficará patente ao público, foi adquirida por intermédio do galerista Filipe Mendes, lusodescendente proprietário de uma galeria de arte em Paris, que ajudou a garantir o regresso a Portugal do quadro que forma par com Maria Madalena confortada pelo Anjos, comprado pelo próprio, que se encontra em exposição no Museu do Louvre desde o início deste mês.

"O Louvre vai dar eco ao quadro da Santa Casa e a Santa Casa vai dar eco ao quadro do Louvre", explicou Filipe Mendes.

Para António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, a aquisição do quadro de Josefa de Óbidos, resultou de um misto de "interesse na arte portuguesa e oportunidade".

"Existe um interesse por parte da Santa Casa adquirir obras de arte relevantes. Foi assim que surgiu esta oportunidade de resgatar o quadro para Portugal e de enriquecer o acervo do museu, que tem obras como de Fernão Gomes ou Vieira Lusitano. Além disso, esta obra torna-se ainda mais interessante considerando que vai emparelhar com o quadro de Josefa de Óbidos doado pelo Filipe Mendes que faz parte da coleção permanente do Louvre", explica ao DN António Tavares, que sobre o MMIPO, que abriu portas em julho de 2015, salienta o excelente impacto que tem tido não só junto de turistas, num eixo de enorme afluxo como se tornou a pedonal Rua das Flores, como também de visitantes nacionais.

"O museu está a tornar-se cada vez mais conhecido e visitado desde que abriu portas. Este tipo de aquisições de obras com grande interesse histórico e artístico ajuda a atrair cada vez mais visitantes para este museu, que é o único na zona histórica do Porto."

Josefa de Óbidos, que viveu entre 1630 e 1684, é filha do pintor Baltazar Figueira e provavelmente o mais significativo caso de uma mulher a destacar-se na pintura antes da época contemporânea.

O quadro Sagrada Família com o pequeno S. João Baptista, Santa Isabel e os Anjos, de 1678, é uma das suas obras mais representativas e será a partir de hoje uma das atrações do museu da Santa Casa.

O MMIPO tem sete salas de exposição e uma galeria central, além da Igreja da Misericórdia, que pode também ser visitada num bilhete conjunto de cinco euros (com 50 por cento de desconto para seniores e estudantes).

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