Mudança no centro educativo da CNB feita para "imprimir novo impulso"

O conselho de administração do Organismo de Produção Artística (OPART) justificou hoje a mudança de coordenação do centro educativo da Companhia Nacional de Bailado (CNB), em Lisboa

Num comunicado hoje divulgado pelo Organismo de Produção Artística (OPART) sobre a nomeação do coreógrafo Rui Lopes Graça para o lugar de Bruno Cochat, na coordenação dos Estúdios Victor Córdon, no Chiado, o conselho de administração justificou nesta sexta-feira que a decisão foi tomada para "imprimir novo impulso" no projeto e acrescenta que a mudança foi feita após um período de avaliação.

O centro educativo, localizado nas instalações da CNB na rua Vítor Córdon, em Lisboa, funciona desde setembro de 2016 para a realização de um projeto educativo lançado pela anterior diretora artística da companhia, Luísa Taveira, para ser partilhado com o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), que o OPART também tutela.

O coreógrafo Bruno Cochat divulgou publicamente uma "carta aberta" na qual sustenta que não lhe foram dadas razões para a rescisão do contrato assinado com a CNB para coordenar daquele espaço por três anos, nem sobre o cancelamento, na temporada, do espetáculo "1HD", da sua autoria.

Sobre a saída de Bruno Cochat, a administração do OPART agradece, no comunicado, a sua colaboração, mas justifica que houve "a necessidade de imprimir um novo impulso programático e uma maior dinâmica a este projeto, após um período de avaliação realizado com os diretores artísticos do TNSC [Patrick Dickie] e da CNB [Paulo Ribeiro]".

O conselho de administração do OPART sustenta ainda que pretende posicionar o centro educativo "como um espaço incontornável e de referência para a cidade e para o país, transformando-o num local vivo, inclusivo e aberto a todos os tipos de públicos".

Quanto ao cancelamento do "1HD - Uma História da Dança", com coreografia e direção artística de Bruno Cochat, resultado de uma encomenda da CNB para ser apresentada durante a sua temporada de 2016-17, o conselho de administração refere que "com recursos maioritariamente da companhia, o espetáculo tinha previstas seis apresentações para escolas e seis para público em geral".

"Após a apresentação dos quatro primeiros espetáculos (25 e 28 de janeiro e 01 e 04 de fevereiro), entendeu-se que não estavam reunidas as condições para prosseguir com a calendarização anunciada, tendo por isso cancelado as restantes apresentações", acrescenta.

"No entanto, todos os contratos referentes aos artistas e técnicos do espetáculo serão integralmente cumpridos", indica o conselho de administração.

O espetáculo tinha interpretação de artistas da Companhia Nacional de Bailado e de alunos da Escola A Voz do Operário, em Lisboa.

A concretização do projeto da escola de dança da CNB para crianças, inserido na nova temporada de 2016/2017 da companhia e nas iniciativas das celebrações dos 40 anos da entidade, em 2017, foi anunciada em julho pela então diretora artística da companhia, Luísa Taveira.

Na altura, numa entrevista à agência Lusa, a responsável justificou a concretização do projeto -- que também iria incluir 'masterclasses', aulas para adultos e oficinas - com o objetivo de criar "outras ofertas para o público".

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