Mostra Espanha realiza mais de cem iniciativas até dezembro

A 4.ª bienal de cultura espanhola em Portugal traz El Greco, teatro ou concertos a 13 cidades do país. Começa em setembro, com o Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura entregue à escritora Lídia Jorge.

Pela primeira vez a mostra "estende-se a todo o país, de Valença a Faro, e não apenas a Lisboa e Porto, com mais de 50 propostas [criativas], tendo também em conta os pedidos que tivemos de autarquias e instituições portuguesas", disse à Lusa o chefe do serviço de cooperação cultural da secretaria de Estado da Cultura de Espanha, Feliciano Novoa Portela.

"A mostra visa mostrar o que se faz em Espanha e não vem a Portugal, com destaque para a contemporaneidade, em áreas como a pintura, a música, o pensamento ou o cinema", afirmou, em declarações à margem da apresentação da Mostra, hoje, em Lisboa.

A conselheira cultural da embaixada de Espanha em Lisboa, Pilar Masegosa, realçou, por seu turno, que "o interesse dos portugueses pela cultura espanhola está a crescer", nomeadamente desde que se realiza a mostra.

A mostra tem uma periodicidade bienal, tendo a primeira edição sido realizada em 2009. Este ano, além de se alargar a todo o território nacional, inclui a primeira edição da bienal Anozero, organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC).

Esta bienal de arte contemporânea tem por objetivo ser "uma reflexão sobre a identidade da cidade [de Coimbra], de nós portugueses e a nossa relação com o mundo", explicou hoje aos jornalistas Carlos Antunes, diretor do CAPC.

A Mostra Espanha abre no dia 24 de setembro, às 18:00, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, na presença dos secretários de Estado dos dois países, com a entrega do Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura 2014 à escritora Lídia Jorge.

Na altura, no museu, será inaugurada a mostra de uma tela de El Greco, A sagrada família com Santa Ana, que ficará patente até 10 de janeiro, no âmbito do ciclo Obras convidadas.

Além de Lisboa, os outros municípios da Mostra Espanha são Faro, Beja, Évora, Palmela, Almada, Cascais, Óbidos, Coimbra, Porto, Braga, Viana do Castelo e Valença.

Feliciano Novoa Portela disse à Lusa que "música, teatro e debates" são as áreas mais requisitadas pelos municípios e instituições portuguesas.

O responsável realçou a participação este ano da companhia de teatro da Fundación Siglo de Oro, que vai apresentar, em Lisboa e no Porto, Mujeres y Criados, de Lope de Vega.

Esta mostra tem também por objetivo "reforçar a amplitude" do certame de cinema español CineFiesta, a realizar de 1 a 7 de outubro, no Cinema City do Campo Pequena, em Lisboa.

"O Cine Fiesta é autónomo e decorre fora da mostra, mas, sempre que coincide com a mostra, integramos [o festival na programação], e, este ano, queremos reforçar a sua amplitide e presença", disse Novoa Portela.

Além do pintura e do cinema, do teatro e da literatura (a Mostra estará também no Fólio-Festival Internacional Literário de Óbidos), a Mostra Espanha incluirá, na sua programação, fotografia, dança e música, nomeadamente uma homenagem a Arthur Rubinstein e Andrea González, em Valença.

Arquitetura e artes em geral, com instalações, joalharia, azulejaria e performances diversas, assim como design gastronómico são outras disciplinas da programação.

Os debates da Mostra Espanha estendem-se das "Novas perspetivas do Caminho de Santiago", num encontro em Beja, à discussão dos programas europeus e dos fundos comunitários, para o período 2014-2020, a realizar em Lisboa

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