Morreu Maria Isabel Barreno, uma das "Três Marias"

Maria Isabel Barreno era autora, com Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, do livro "Novas Cartas Portuguesas"

A investigadora e escritora Maria Isabel Barreno morreu esta tarde, com 77 anos, avançou esta tarde o semanário Expresso.

Maria Isabel Barreno era autora, com Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, do livro Novas Cartas Portuguesas, uma obra publicada em 1972 e que causou uma polémica nacional e internacional, conhecida como o "Caso das Três Marias", devido ao julgamento promovido pelo regime de então, que considerou a obra de "teor pornográfico". Só foram absolvidas a 7 de maio de 1974, dias após a Revolução do 25 de Abril. A obra tem tido sucessivas reedições.

Nascida em Lisboa a 10 de julho de 1939 e licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi uma defensora dos direitos. Trabalhou no Instituto Nacional de Investigação Industrial, foi jornalista e Conselheira Cultural para o Ensino do Português em França e publicou 24 títulos, entre romance e investigação na área da Sociologia.

Recebeu diversas distinções, entre as quais o Prémio Fernando Namora, pelo romance "Crónica do Tempo" (1991), e o Prémio Camilo Castelo Branco e o Prémio Pen Club Português de Ficção, pelo livro de contos "Os Sensos Incomuns" (1993), e em 2004 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

"Vozes do Vento", sobre a história dos antepassados do seu pai em Cabo Verde, foi o último romance que publicou, em 2009, após uma pausa de 15 anos na escrita durante a qual desenvolveu atividades noutros campos artísticos, nomeadamente as artes plásticas, com várias exposições de desenho e tapeçaria. Depois, em 2010, editou ainda o livro de contos "Corredores Secretos (seguido de "Motes e Glosas")".

Maria Isabel Barreno será cremada no domingo, às 17:00, no cemitério dos Olivais.

Com Lusa

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