Morreu o pintor Abel Mendes, professor jubilado da Faculdade de Belas Artes

Pintor morreu aos 83 anos

O pintor Abel Mendes, professor jubilado da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, morreu hoje, aos 83 anos, disse à agência Lusa fonte da família.

Segundo a mesma fonte, o velório do artista decorrerá na capela do Senhor do Bom Sucesso, na freguesia de Real, em Braga, no sábado, estando as cerimónias fúnebres agendadas para domingo, às 15:00, seguindo então o funeral para a Igreja Paroquial de Real. O corpo será sepultado no cemitério local.

Nascido em Braga, em julho de 1933, nome da expressão neofigurativa da arte portuguesa do século XX, vencedor do Prémio Nacional de Pintura, em 1966, como destaca a página oficial da Universidade do Porto, Abel Mendes frequentou o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, de 1952 a 1964 e, em 1981, fundou o Grupo VideOPorto, com os artistas plásticos Silvestre Pestana e Henrique Silva.

A Universidade do Porto coloca o pintor na lista dos "Antigos Estudantes Ilustres", na sua página na internet, e recorda Abel Mendes como condiscípulo de António Quadros e dos pintores Domingos Pinho e Tito Reboredo, tendo participado na 20.ª Missão Estética de Férias (1957), de Viana do Castelo, dirigida por Abel Viana.

De 1967 a 1996, Abel Mendes foi professor auxiliar da Escola Superior de Belas Artes do Porto e da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Foi, também, membro fundador e presidente do Centro de Estudos da Cultura e Ensino dos Países de Expressão Portuguesa (CECEPEP), membro fundador da Casa da Cultura da Língua Portuguesa (CCL) e professor coordenador do Ciclo de Apoio Tutorial da Universidade do Porto (CATUP).

Participou em numerosas exposições coletivas, nomeadamente na mostra "40 anos da Arte Nacional" e na "Arte Ficção Científica", da antiga Galeria do Jornal de Notícias (1979), na II e III bienais de Vila Nova de Cerveira (1980 e 1982), na Exposição de Artistas do Porto - Faculdade de Belas Artes de Sevilha (1982) e na Exposição "Porto 60/70: os artistas e a cidade" (Fundação de Serralves, 2001).

Participou ainda nos Encontros Internacionais de Arte em Almada (1982) e no Encontro Nacional de Performance de Torres Vedras (1985), assim como a Arte Video Portugal (Gallery of New Concepts - School of Art and History, Universidade do Iowa, 1991).

No Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto encontram-se retratos a óleo de sua autoria, dos professores Augusto Queiroz, Humberto de Almeida, António Mendonça Monteiro e Domingos Rosas da Silva.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Alemanha

Lar de Dresden combate demência ao estilo Adeus, Lenin!

Uma moto, numa sala de cinema, num lar de idosos, ajudou a projetar memórias esquecidas. O AlexA, na cidade de Dresden, no leste da Alemanha, tem duas salas dedicadas às recordações da RDA. Dos móveis aos produtos de supermercado, tudo recuperado de uma Alemanha que deixou de existir com a queda do Muro de Berlim. Uma viagem no tempo para ajudar os pacientes com demências.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.