Morreu o fotógrafo anti-apartheid David Goldblatt

O fotógrafo sul-africano retratou as transformações sociais no seu país. Tinha 87 anos.

O fotógrafo sul-africano David Goldblatt, que documentou os duros anos do apartheid, morreu hoje, aos 87 anos, confirmou a Goodman Gallery, a galeria de Joanesburgo que o representava.

Era "uma lenda, um mestre, um ícone nacional e um homem com uma integridade absoluta", afirma a galeria em comunicado.

Em 2008, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, mostrou Intersecções Intersectadas, uma exposição comissariada por Ulrich Loock, onde se mostrava um pouco da obra de Goldblatt, que registou as transformações sociais na África do Sul desde meados do século XX.

Antes disso, em 2002, tinha sido o Centro Cultural de Belém a mostrar 51 anos, retrospetiva dedicada a Goldblatt.

Filho de um casal de refugiados da Lituânia, Goldblatt nasceu Randfontein, na África do Sul, em 1930. Começou a fotografar em 1948 e tornou-se fotógrafo a tempo inteiro em 1963. Em 1972 passou seis meses no Sowetto a fotografar. E durante toda as décadas de 70 e 80 empenhou-se em mostrar ao mundo quão diferente era a vida nas comunidades brancas e de cor na África do Sul. Um projeto que culminou com a publicação em 1998 de South Africa‚ The Structure of Things Then.

Considerava-se "um observador e um crítico da sociedade" e até aos anos 1990, Goldblatt raramente fotografava a cores. As suas imagens foram reunidas em livros como Some Afrikaners (1975), The Transported of Kwandebele: A South African Odyssey (1989) ou Particulars (2003). Em 2008 tornou-se o primeiro fotógrafo sul-africano a ter uma exposição individual no MoMA em Nova Iorque, em 1998. E também esteve presente na Documenta de Kassel (2002 e 2007). Ganhou o Prémio Hasselblad (2006) o Prémio Henri Cartier-Bresson (2009) e o prémio de carreira do Centre for Photography Cornell Capa (2013).

Nunca nos devemos esquecer que o preço da liberdade é muito alto mas devemos mantê-la sempre

"Nunca nos devemos esquecer que o preço da liberdade é muito alto mas devemos mantê-la sempre", disse numa entrevista ao Sunday Times. "Temos que nos manter vigilantes senão a podridão infiltra-se."

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