Meo Sudoeste. Wiz Khalifa, Sia, Seu Jorge e hip hop

No ano em que cumpre a 20ª edição, o festival da Zambujeira do Mar estreia um novo palco dedicado à cultura hip hop que dá o ritmo no intervalo dos grandes concertos

O novo palco EDP é uma das novidades do Meo Sudoeste, que promete ser um dos espaços mais concorridos da edição deste ano do festival, que começa no dia 3 na Zambujeira do Mar. Terá espetáculos de hip-hop nos intervalos dos principais concertos.

"Mais do que um mero local de concertos, este palco pretende celebrar a cultura hip-hop, juntando a dança com a música", explica Vasco Alves, um dos membros fundadores dos BLKBRDS, a banda residente do espaço, cuja sonoridade se inspira no hip-hop, electro e funk dos anos 80. Irão apresentar-se na companhia da Jukebox Crew, um coletivo de dançarinos fundado em 2008 pelo coreógrafo Vasco Alves (conhecido pelas participações em programas de televisão como Achas Que Sabes Dançar? ou The Voice), que é atualmente o mais conceituado grupo de dança hip-hop nacional, como o atestam as consecutivas presenças, em representação de Portugal, nos campeonatos do mundo de dança hip-hop, realizado anualmente em Las Vegas, nos Estados Unidos.

"Foi-nos proposto este desafio, de juntar a música ao vivo com a dança, e nós aceitámos com grande entusiasmo, até porque será a primeira vez que irá haver um espetáculo de dança num dos palcos do Sudoeste", refere o responsável pelo projeto. Não será, no entanto, a primeira vez que se apresentam num festival de música: "Já atuámos no Rock in Rio e foi uma loucura, mas no Sudoeste, até pela faixa etária mais jovem do público, esperamos ainda uma muito maior adesão."

Segundo conta, o espetáculo sofreu até "algumas alterações", exatamente "a pensar no público do Sudoeste, que também é fã deste estilo de música". Nalgumas das noites, terão mesmo alguns convidados em palco, como acontecerá na quinta--feira, com o ex-vocalista dos Da Weasel Virgul, no sábado, com o rapper NBC, ou no domingo, com a presença da jovem cantora portuguesa April Ivy. "Todos os dias haverá uma abordagem diferente ao espetáculo, que é composto por uma grande vertente de improviso e de interação com o público", promete o coreógrafo.

DJ killed the rock star

Outra das novidades anunciadas é a utilização, pela primeira vez, de copos reutilizáveis, "de modo a preservar o ambiente e combater o desperdício". Os copos são entregues mediante o pagamento de uma caução de dois euros, devolvida com a entrega dos mesmos ao final de cada dia. E, no que ao recinto diz respeito, também são várias as melhorias, a começar por uma nova zona de cinema ao ar livre, junto ao LG Cool Spot, onde também funciona o serviço de lavandaria da zona do campismo. E, para que ninguém fique offline, todo o recinto, campismo incluído, terá cobertura wi-fi, numa extensão total de 15 hectares. Da mesma forma, os pontos de carregamento para telemóveis distribuídos pelo recinto e o pelo campismo serão neste ano aumentados em mais de 30%. E há ainda tudo o resto: a roda gigante, os mergulhos no canal, que voltará a ter um DJ a dar música aos banhistas durante a tarde, ou o campismo, de portas abertas já desde ontem, sábado, para receber os primeiros festivaleiros.

Prestes a cumprir a vigésima edição, parecem cada vez mais distantes os tempos dos grandes concertos rock, que marcaram a primeira existência do Sudoeste, entretanto substituídos pela música eletrónica e de dança. Uma aposta ganha, como se comprova pelos recordes de público das duas últimas edições, de novo repetida neste ano. Como é tradição, o festival tem oficialmente início já a partir de quarta-feira, com a festa de receção ao campista, a cargo dos coletivos de DJ DVBBS, Yellow Clam e Club Banditz. Na quinta, já com todos os palcos a funcionar, destacam-se nomes como o do rapper norte-americano Wiz Khalifa, do português Virgul e do DJ holandês Martin Garrix. No dia seguinte, sexta, as atenções repartem-se entre o jamaicano Damian "Jr. Gong" Marley (filho do lendário Bob Marley), o brasileiro Seu Jorge e a curadoria dos Orelha Negra no palco Moche Room, por onde passarão alguns dos mais promissores DJ e produtores do hip--hop nacional. No sábado, será a pop da australiana Sia e do britânico James Morrison a marcar o ritmo de uma noite que assinala ainda o regresso do DJ norte-americano Steve Aoki ao Sudoeste. Para o último dia, domingo, e à exceção do português Jimmy P, o palco principal está reservado em exclusivo a DJ como as australianas Nervo, os colombianos Cali Y Dandee ou o sueco Steve Angello, para terminar em festa um festival que quer apenas e só ser isso mesmo - uma enorme festa.