Máscaras contam histórias fantásticas do México atual

Utilizadas no carnaval, na luta livre ou em cerimónias (mais ou menos) religiosas, exposição mostra cerca de 300 máscaras originais mexicanas numa afirmação da diversidade que ainda hoje povoa o imaginário popular.

"Não é uma exposição etnográfica, nem recuamos ao tempo dos astecas. O que se pretende é que seja mais teatral e com máscaras feitas nos últimos 150 anos." O esclarecimento inicial do antropólogo Anthony Shelton, curador da exposição Do Carnaval à Luta Livre. Máscaras e Devoções Mexicanas que hoje se inaugura, às 17.00, serve de preparação para o que se descobre logo na primeira sala: três filas de seis máscaras de carnaval cada surgem refletidas num espelho que cobre toda a parede do lado esquerdo.

Algumas de madeira e outras de fibra de vidro, são personificações de espanhóis, e quem as usa "veste-se todo de preto, com uma gravata branca, um chapéu alto preto, usando ainda um chapéu de chuva preto aberto", explica o curador desta mostra que pode ser vista até 1 de outubro no Palácio Pimenta - Museu da Cidade, em Lisboa. Por isso mesmo, do lado direito, sublinhando o aspeto teatral, estarão chapéus de chuva abertos.

Em jeito de introdução, este é o primeiro dos três núcleos em que está organizada a exposição que, no total, mostra quase 300 máscaras provenientes de uma coleção privada particular europeia.

No segundo núcleo, a zona laranja (cor das paredes), as máscaras utilizadas em festivais religiosos (Semana Santa, Corpo de Cristo e dias dedicados a determinados santos) contam várias histórias do imaginário popular mexicano. Como a que conta Anthony Shelton sobre as máscaras Tastoan que se podem ver logo à esquerda assim que se entra na segunda sala: "Ainda hoje são utilizadas em duas municipalidades de Guadalajara, relembrando a batalha entre espanhóis e nativos, no século XVI, durante a qual Santiago foi morto por Deus por estar a ajudar os espanhóis. E para que fosse ressuscitado teve de obedecer a uma condição: ajudar os povos indígenas. E assim foi, conta a tradição local, que ainda hoje é celebrada."

Esta é apenas uma das dezenas de histórias que o antropólogo pode partilhar amanhã, às 17.00, numa mesa-redonda com entrada livre, a realizar no Palácio Pimenta.

Para além das máscaras cerimoniais, na zona amarela (é só seguir a cor das paredes) é mostrada, pela segunda vez a nível mundial, um conjunto de máscaras consideradas "falsas". Shelton explica: "Nos anos 70, 80 e 90, para dar resposta a uma crescente procura de máscaras por parte dos turistas, os artesãos locais começaram a fazer máscaras mais elaboradas que eram vendidas sobretudo para museus e coleções privadas. Exibidas uma única vez num museu, no Texas, foram consideradas falsas por especialistas. Mas, como surgiram em livros e fotografias, foram "copiadas" e agora há exemplares muito semelhantes a serem usados nas festividades mexicanas." "Deixa-nos a pensar: afinal, o que é autêntico?", atira o antropólogo.

Outra particularidade desta mostra, incluída na programação de Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017, é o facto de pela primeira vez se associar às máscaras tradicionais as utilizadas na luta livre, a versão mexicana de wrestling. Um ringue, excertos de filmes, posters e fotografias de Lourdes Groubet ajudam a recriar o ambiente desse fenómeno que é a lucha libre no México.

Informação útil

Do Carnaval à Luta Livre. Máscaras e Devoções Mexicanas

Palácio Pimenta, Museu de Lisboa, Campo GrandeA partir de amanhã e até 1 de outubro

De terça a domingo, das 10.00 às 18.00

Bilhetes: 3 euros

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

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