Maratona musical em 15 locais do Porto

A sexta edição do festival gratuito, atualmente designado como NOS D"Bandada, dá nova vida ao célebre Club Kitten que agitou a noite da Invicta (e não só) há mais de dez anos

Graças ao NOS D"Bandada, o Porto volta à rua amanhã, para festejar os ritmos nacionais - e neste ano, toda a música lusófona -, naquela que está a tornar-se uma tradição de setembro da Invicta. O dia é longo, começa às 14.00 e prolonga-se pela madrugada fora, com a ocupação de praças, salas de espetáculos e espaços invulgares por parte de bandas, artistas a solo e DJ, e, claro, do muito público.

O programador Henrique Amaro (conhecido sobretudo como radialista da Antena 3 e divulgador da nova música nacional) e o antigo diretor de comunicação da Optimus e da NOS, Pedro Moreira da Silva, estão ligados à criação do conceito do festival, em 2011, como Optimus D"Bandada. Henrique Amaro recorda ao DN que "a editora digital Optimus Discos tinha acabado de ser fundada. E o Pedro achava por bem criarmos um evento com características urbanas de rua e grátis, usando vários espaços, parte deles inusitados, para promover os artistas editados pela Optimus Discos. A primeira edição é quase totalmente feita com artistas da casa. Tivemos o Miguel Araújo a tocar para 50 pessoas, tivemos os Best Youth a tocar na mesma noite duas vezes em vários sítios".

Henrique Amaro orgulha-se do rápido crescimento do D"Bandada muito para lá da Optimus Discos: "as coisas cresceram de tal forma, que a plataforma, por muitos discos que edite, não é capaz de alimentar uma coisa com o volume" do festival.

Como programador do D"Bandada, Henrique Amaro sabe bem o que quer para o evento. "O critério passa sempre por três fatores indissociáveis em qualquer programação: os espaços, a música e o público. O ponto de partida foi sempre não renegar o passado. Isto é, não estragar aquilo que foi feito. Pretende-se celebrar o passado e aprender com as edições anteriores e acrescentar algo mais: olhar para os espaços e pensá-los de uma forma diferente e mais musical, descobrir espaços novos e envolver outros artistas." Tudo passa por um equilíbrio nas escolhas de cartaz, entre os consagrados como Miguel Araújo ou projetos como a eletrónica de Surna. "É sempre esse misto entre celebrar algumas carreiras e não esquecer os valores emergentes que podem ter o seu primeiro banho de público."

O renascimento do Club Kitten, que marcou as noites do Porto (e também de Lisboa) há mais de dez anos, assinala esta sexta edição do D"Bandada. João Vieira, líder dos X-Wife, volta como DJ Kitten, em local secreto, ainda por divulgar. "Este Club Kitten é a celebração do 15.º aniversário, se o Club Kitten ainda existisse. A ideia é fazer uma grande festa a lembrar o Club Kitten da altura, nas grandes noites no Triplex e no Sá da Bandeira, mas também adaptado aos dias de hoje. Não vai ser uma festa completamente revivalista, vamos manter o espírito com o toque de contemporaneidade, com canções rock e de eletrónica, em que o público esteja vestido à ocasião e se preocupe com a produção." Há um nome que é seguro neste DJ set do Club Kitten, em tributo às velhas noites de 2003 e 2004: a canadiana Peaches.

E o que este festival tem de tão especial, que faz mexer cem mil pessoas nas ruas do Porto todos os anos? Henrique Amaro tenta desvendar. "Começa logo pela designação: o que é isto, um festival, uma mostra? É o quê? Para já, é a dificuldade em catalogá-lo. Eu ainda não sei o que é, se calhar é uma festa popular, assente na música. É uma coisa que não tinha paralelo. Agora já há a Noite Branca em Braga que se assemelha à D"Bandada, embora tenha aparecido posteriormente." A João Vieira, que já marcou presença em edições anteriores, vem-lhe à memória o famoso festival de Austin, no Texas. "É um festival que me faz lembrar o South by Southwest, em que tive o prazer de participar há nove anos. É uma festa urbana, de mostra da música portuguesa, em que se valoriza a cidade e os espaços."

O fenómeno localizado do D"Bandada também impressiona Henrique Amaro. "Apesar destes anos todos, o festival continua um segredo para o resto do país. Só dizendo é que se percebe o que é. Notei isso no ano passado. Os músicos que experimentam tocar, como o Tó Trips a meio da tarde no Café Ceuta, ficam admirados: o que é isto? Não sabia que isto era assim. O D"Bandada continua a ser um festival em que só os cidadãos do Porto e os músicos que nele tocam percebem o que é."

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