Mahmud Asrar: "Os X-Men passam uma mensagem de que somos todos iguais"

O desenhador turco Mahmud Asrar está a desenhar a nova série X-Men e falou com o DN na Comic Con

Quando foi anunciado há três semanas que a série X-Men da Marvel ia regressar renascida com um dos elementos, Jean Grey, a surpresa foi geral, até porque a notícia avançava que o visual destes personagens mutantes mudava radicalmente . O desenhador turco Mahmud Asrar, nascido em 1976 em Ancara, vai participar neste renascimento como ilustrador de uma série de novos episódios. Ontem, Asrar revelou ao DN aquilo que o contrato com a Marvel lhe permite sobre os episódios que serão publicados no início do ano.

Este é um regresso inesperado?

Foi bastante inesperado até para mim, que sou um grande fã dos X-Men, especialmente de Jean Grey. Ainda por cima, é ela que estará a liderar o grupo, que é muito importante para o que representa, pois vão ser abordados temas fraturantes e tomar posições sobre situações de discriminação a que assistimos no mundo. E como a Marvel está a dar muita importância a este lançamento, tenho andado sob muito stress.

Mas já desenhou outros heróis dos X-Men!

É verdade, já fiz alguns livros, O Ultimate X-Men e Wolverine , entre outros, mas este é o mais importante até o momento.

Porque Jean Grey é a principal personagem?

Sim, apesar de estarem outros seis X-Men com ela e, esta é outra grande novidade, existirem novos personagens também. Vai ser muito curioso devido à variedade dos poderes de personagens tão diferentes presentes na história.

Criou um novo guarda-roupa. Porquê?

É o regresso de Jean Grey e ela já não é a Fénix anterior. Como não posso revelar detalhes, temos de esperar pela história, que explicará o porquê destas novas vestes e porque estão diferentes.

Respeitou o guião que lhe deram ou propôs algumas sugestões?

A história estava definida, mas tentei fazer certas alterações. Por norma não me preocupo com o conteúdo da história, essa não é a minha área, o que me interessa e o lado visual. O que fiz foi dar mais força àquilo que me entusiasmava na história e que poderia melhorar o impacto da narrativa. Quanto a alterações no argumento, é sempre difícil porque as regras da Marvel são muito apertadas.

Falou com o autor do guião, Tom Taylor?

Falámos no princípio, mas já quase tinha terminado a história e como achei que estava muito boa ficámos por aí. O que me restava era potenciar certas partes a nível visual.

Participar num projeto da Marvel é muito rígido?

Sim, porque tudo o que está nesta história tem que respeitar as histórias anteriores. Não se parte do zero. Basta mudar o penteado de um deles para ficar diferente e isso não pode acontecer pois afeta sempre o que já se conhece dos X Men, e é preciso respeitar o passado deles. Começar uma nova série é sempre muito complicado porque é necessário estabelecer um percurso e definir o futuro das outras histórias que se seguirão.

Quantos volumes serão?

Vão ser vários, pelo menos cinco volumes numa primeira etapa e depois logo se verá. É o habitual na edição norte-americana.

Os criadores de Jean Grey são Stan Lee e Jack Kirby. Leu a sua obra par perceber como tudo começou?

Para ser honesto não fui muito curioso, mas fiz alguma investigação visual noutras histórias anteriores dos X- Men, designadamente as da Jean Grey por Tom Grumett e Chris Clairmont na Saga de Fénix, porque foram as que me despertaram para a personagem e as que queria como inspiração para o meu trabalho artístico. Também o X-Men de Grant Morrison, que deu a Jean Grey alguns dos melhores momentos da série.

Que tipo de pesquisa fez?

Pouca...

Acha que um dia irá criar uma personagem sua?

Acho que sim, até porque temos uma personagem nova neste regresso de Jean Grey, um novo X Men, uma jovem indiana, que vai ser muito interessante pela sua nacionalidade e porque tem poderes mutantes muitos atuais.

Qual é o seu poder?

Ela é tecnopata.

O que é isso?

É o mesmo que telepata, só que interage com a tecnologia. Ela é capaz de controlar as máquinas, o que gera uma parte visual deste série em muito diferente das anteriores.

Quantos personagens são ao todo?

Sete, mas pode haver surpresas nos próximos volumes.

Sempre gostou mais de comics que de ou outros géneros?

Eu cresci com comics e foi o que sempre quis fazer, mas com artista tenho outros personagens de que gosto no cinema e nas séries de TV.

Quando há o selo Marvel é impossível fugir uma influência mundial. Isso é bom?

Sim, até porque no caso dos X Men, como são mutantes, existe muita discriminação à sua volta e assim passam uma mensagem de que somos todos iguais e ninguém deve ser marginalizado na sociedade por causa das suas diferenças. Os X-Men só podem influenciar a sociedade de uma forma positiva.

Desenha em papel ou no computador?

De ambas as formas. Há projetos que fiz completamente no computador mas sou mais tradicional e prefiro trabalhar no papel e com tinta. Muitas vezes, faço dos dois modos, começo com os esboços no computador e depois termino em papel. É mais fácil para mim.

A capa deste livro é de outro artista. Ficou aborrecido?

Não, o Travis Charest é um artista excecional e muito popular e, apesar de não produzir muito a Marvel convenceu-o a fazer a capa. E todos gostámos da ideia.

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