Maestrina Susanna Mälkki promete regressar a Lisboa

Finlandesa faz hoje e amanhã últimos concertos após três anos como maestrina convidada principal da Orquestra Gulbenkia.

Susanna Mälkki está "na crista da onda": a já titular da Filarmónica de Helsínquia será maestrina convidada principal da Filarmónica de Los Angeles a partir do outono; foi escolhida pela Musical America como Maestro/Maestrina do Ano 2017; é candidata aos International Opera Awards; está nomeada para os prémios do Conselho Nórdico para a Música; fez estreia recente no Met de Nova Iorque e fará estreia próxima na Ópera de Viena; e é disputada por todas as grandes orquestras americanas.

Terminará amanhã associação de três anos com a Orquestra Gulbenkian: "Adoraria continuar a vir dirigir aqui, mas será só como convidada a partir de agora." Para a despedida, escolheu um programa que junta Wagner, Richard Strauss e Messages (2007), do inglês Jonathan Harvey (1939-2012), sobre o qual diz: "A sua música foi sempre muito espiritual, mormente na fase final. Eu conheci-o bem, era uma pessoa adorável e disse-me que gostaria muito que eu dirigisse Messages, pois tinha a sensação de que era a sua melhor obra. Sinto-a como uma obra de culminação, sim, e é muito tocante."

Sensações fortes trouxe também da estreia no Met, em dezembro, dirigindo a ópera L"Amour de Loin, da compatriota Kaija Saariaho: "Foi extraordinário a todos os níveis. Dirigir no Met era um desejo secreto de há muitos anos e a qualidade musical com que me deparei ali, a ética de trabalho impecável, a inteligência daqueles músicos... foi incrível! Após o primeiro ensaio, eu e a Kaija já dizíamos: "Bom, isto nunca soou tão bem!..."" Quanto a um possível regresso "acontecerá de certeza", diz. "Já me fizeram uma proposta, mas não pude aceitar, estamos a procurar alternativas."

Sobre a temporada inaugural em Helsínquia diz estar a correr muito bem. "Desenhei uma programação com um fio condutor francês, pois é um repertório a que público e músicos estão menos habituados. Quero manter as boas tradições da orquestra, mas também torná-la relevante para o nosso tempo, não deixar que se torne um museu, levando-a a tocar música de hoje para dar seguimento à nossa tradição. Mas tudo sempre em acordo com os músicos. Ao mesmo tempo, estamos em plena comemoração dos cem anos da independência finlandesa, com um programa de encomendas para os próximos anos." E "daqui a um mês", acrescenta, "estarei a fazer a minha primeira gravação com eles: será um disco dedicado a Bartók".

Maestrina muito conotada com a ópera contemporânea, Susanna brinca: "Quando digo a alguém que já dirigi O Cavaleiro da Rosa [ópera revivalista de Strauss], logo dizem, incrédulas: "A sério?!?..."" E como para afastar esse espectro? "Imagino-me perfeitamente a dirigir Verdi e até já me convidaram para uma Traviata!" Também na ópera pretende repartir-se entre o novo e o tradicional. E a sua agenda próxima parece ir nesse caminho: "Na primavera de 2018 estreio-me na Ópera de Viena com A Morte de Danton, de Gottfried von Einem e depois regresso à Ópera de Paris para um título talvez surpreendente: Rusalka, de Dvorák!"

Certo a mais de três anos de distância é que será ela a dirigir a nova ópera de Saariaho, com estreia marcada para Londres: "Será a minha estreia no Covent Garden", diz com entusiasmo.

Helsínquia e EUA preenchem a sua agenda próxima. E no domingo saberá se ganhou um International Opera Award.

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