MAAT recebe 12 mil visitantes em dia de aniversário

Mais de 12 mil pessoas estiveram no MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia hoje, dia do primeiro aniversário.

Em dia de entrada livre, assinalando o primeiro aniversário do MAAT, mais de 12 mil visitantes passaram pelo museu, segundo fonte oficial da EDP.

As comemorações começaram ontem à noite, às 23.00, com um concerto do projeto Moullinex, e uma festa ao longo da noite. Pela festa passaram 900 pessoas.

Hoje foram inauguradas três novas exposições: Quote/ Unquote. Entre Apropriação e Diálogo, a partir da coleção de artistas portugueses da Fundação EDP, Artists Film International (vídeos assinados por 17 artistas de 17 lugares) e a obra Shadow Soundings que ocupa a galeria oval do novo edifício. Trata-se de instalação sonora e em vídeo em que o artista capta os sons da ponte 25 de Abril e as imagens que lhes correspondem. Na galeria principal do museu está atualmente patente a exposição Tensão e Conflito. Arte em Vídeo Pós-2008.

O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, uma obra de arquitetura assinada pela artista britânica Amanda Levete, abriu as portas há um ano, também com entrada livre, e recebeu a visita de 15 mil pessoas. Segundo Miguel Coutinho, administrador-executivo da Fundação EDP, passaram pelos dois edifícios -- Central Tejo e MAAT - 550 mil pessoas, 268 mil entre janeiro e agosto.

No último ano, pelas 23 exposições do museu passaram 432 artistas, 137 deles portugueses.

"Vamos expor pela primeira vez, na primavera, a coleção de Pedro Cabrita Reis, que foi uma compra importante que a fundação fez", disse Miguel Coutinho, em entrevista ao DN, sobre a programação que aí vem. Está também prevista a exposição Happy Show, de Stefan Sagmeister, e, na Galeria Oval, a instalação que Xavier Veilhan fez no pavilhão francês da Bienal de Veneza.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.