Lídia Jorge lança hoje o romance "Os Memoráveis"

Lídia Jorge afirmou que o seu novo livro "Os Memoráveis", que é apresentado hoje à tarde em Lisboa, no Teatro Aberto, deve ser lido "com o respeito que se tem pelo romance".

A autora defendeu que "o romance tem um lugar importante no mundo de hoje, apesar de ser posto muito de lado e estar desfigurado, mas faz parte de uma disciplina que é indispensável para o entendimento profundo dos países, das nações e das sociedades".

"O romance continua a ter um papel indispensável nessa capacidade de transfigurar o social numa mensagem e ao mesmo tempo num projeto de sonho, que é sempre o que a arte traz. O romance continua a ser um mergulho no social e oferece sempre um projeto de futuro", rematou.

A trama narrativa d'"Os Memoráveis" é protagonizada por Ana Maria Machado, uma repórter portuguesa em Washington que, em 2004, foi convidada a fazer um documentário sobre a Revolução, considerada pelo embaixador norte-americano à época, em Lisboa, "um raro momento da História", segundo comunicado da editora.

A repórter aceita o trabalho, forma uma equipa e entrevista vários intervenientes e testemunhas do golpe de Estado, "revisitando os mitos da Revolução de Abril", segundo o mesmo comunicado.

Em declarações à Lusa, Lídia Jorge afirmou que pretendeu, neste romance, perspetivar "o que foi feito de uma utopia, projetá-la no decorrer do tempo e, ao mesmo tempo, levantar não só uma homenagem ao que aconteceu nesse dia [25 de Abril de 1974], como falar desse dia como um projeto de esperança, não vindo do passado mas como um projeto de futuro".

Quanto à escolha do título, afirmou: "O que é memorável não é o que ficou enterrado no passado; memorável é o que do passado se recolhe e se pode projetar no futuro".

Aos leitores, deixou um conselho: o livro "deve ser lido com o respeito que se tem pelo romance, tanto mais que este tem um parte híbrida, uma vez que utiliza figuras que são reconhecíveis, mas sublinho que se trata de uma transfiguração, estas figuras coloquei-as vistas por um rostos de jovens e como tal vêm deformadas pela visão das personagens".

A obra, editada pelas Publicações D. Quixote, é apresentada hoje às 18:30 no Teatro Aberto, em Lisboa, pelo jornalista Mário Mesquita e pela atriz Beatriz Batarda.

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