"Knightfall": com os Templários a lutar pela Terra Santa

Série inglesa "Knightfall" ocupa a partir de hoje os serões de domingo no canal TV Séries. O historiador Dan Jones explica como a série mostra a decadência da Ordem dos Templários

No século XIII, a Terra Santa era disputada por cristãos e muçulmanos, com espadas e catapultas. No primeiros minutos do primeiro episódio de Knightfall - Templários somos lançados no meio da batalha de Acre (atual Israel), em 1291, ao lado dos cavaleiros Templários numa luta não só pela terra mas acima de tudo para salvar o Cálice Sagrado. A derrota leva os Cruzados a abandonarem Acre de barco e vamos reencontrá-los, 15 anos depois, em Paris (França), longe dos campos de batalha e mais preocupados com as finanças da Ordem dos Templários do que com a sua missão original: proteger o caminho dos peregrinos.

Knightfall, que hoje se estreia no canal TV Séries, às 21.15, tem como protagonista Landry (interpretação de Tom Cullen), líder dos Templários , homem corajoso e de bom coração (embora com algumas dificuldades em cumprir o voto de castidade). Landry assume a liderança precisamente no momento em que os Templários já estão em decadência . E caminham para o fim. Na sexta-feira, 13 de outubro de 1307, todos os Templários da França foram presos por ordem do rei Filipe IV (aqui interpretado por Ed Stoppard). Por sua influência, o Papa Clemente V (interpretação de Jim Carter) acaba por interpor uma série de processos judiciais contra os Templários em toda a Europa, numa perseguição que termina com a dissolução da ordem e do seu último grande mestre, Jacques de Molay, queimado em 1314.

E por aqui andamos nos dez episódios de Templários. A série baseia-se em factos reais, mas o historiador Dan Jones, responsável por toda a investigação da produção, explica que "é melhor pensar em Knightfall como uma fusão da história real, da lenda dos Templários e de um novo corpo de mitologia que os escritores brilhantes têm produzido em camadas em torno dela". Numa entrevista por e-mail ao DN, Dan Jones esclarece que "Knightfall apresenta personagens reais e personagens de ficção que interagem numa visão do Médio Oriente e da França que foi projetada com atenção minuciosa aos detalhes históricos. Claro que é um drama histórico - e o drama importa tanto quanto a história. O mais importante é que é divertido!"

Um dos aspetos inovadores desta série, diz o historiador, é que "trata em pormenor um pouco da história dos Templários que geralmente é ignorada: o fim. Isso é bastante ousado, porque, claro, todos os outros projetos de Hollywood hoje parecem ser uma história de origem de um tipo ou outro". Já "Knightfall mostra-nos homens perseguindo um sonho que sabemos que acabou, mas todos estão cheios de esperança e esforço. Nesse sentido, é uma tragédia. E, como todas as tragédias, aproxima-se das lutas pessoais das suas personagens. Isso é algo bastante novo para os Templários também. Normalmente vemo-los em filmes e jogos de computador como agentes sem rosto de uma organização sinistra. Aqui são pessoas reais". Há momentos em que os criadores levam a câmara para dentro dos capacetes dos Templários, para que possamos colocar-nos na sua pele.

Num momento em que também está em exibição a série Vikings (inspirada neste povo da Escandinávia na Idade Média) e em que se aguarda a estreia de Britannia (sobre a conquista das ilhas britânicas pelos Celtas, ainda antes de Cristo), num momento em que as imagens de guerra de O Senhor dos Anéis ou de Game of Thrones (cuja ação se passa num "tempo antigo" indefinido) povoam a nossa imaginação, surge Knightfall - Templários, para explorar um pouco mais esse imaginário. A série estreou-se a 6 de dezembro no canal História nos EUA e a recepção crítica tem sido mista. Mas Dan Jones acredita que os espectadores vão ficar envolvidos pela história e por estas imagens de "conflitos e guerras num mundo visualmente atraente, intrinsecamente perigoso, carregado de espiritualidade e crença mística e também despojado da tecnologia militar que fez guerra em massa e mortes sob balas e bombas. É uma forma de escapismo". E, no final, espera que "inspire as pessoas a ler sobre a verdadeira história dos Templários".

Knightfall - Templários

Estreia hoje

TV Séries

Domingos, 21:15

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.