Juliette Binoche e Jessica Chastain criam produtora feminista

We Do It Together é a "organização sem fins lucrativos" que quer mudar a representação das mulheres no cinema e na televisão. O primeiro filme será exibido em maio, no Festival de Cannes

O objetivo é contrabalançar e propor uma alternativa à representação da mulher nos trabalhos de realização no mundo do cinema e da televisão e na forma como neles é retratada. Foi para isso que se juntaram atrizes como Jessica Chastain, Juliette Binoche, Freida Pinto (Slumdog Millionaire), a também rapper Queen Latifah, ou realizadoras como Amma Asante (Belle) e Katia Lund (co-realizadora da Cidade de Deus).

Estas e outras mulheres fundaram na semana passada a produtora We Do It Together, uma "organização sem fins lucrativos" que vai financiar e produzir filmes, documentários e produtos de televisão assinados por mulheres.

O projeto feminista começará por produzir "seis filmes de 15 minutos, com realizadoras e atrizes", afirmou no último domingo Binoche à estação France Info. Mas será preciso esperar pelo Festival de Cinema de Cannes - entre 11 e 22 de maio - para ver exibido o primeiro filme da produtora, contudo, sabe-se que o financiamento virá quer de governos vários, quer de patrocinadores coletivos ou donativos individuais. A ideia, explica o site Deadline, é que a produtora se torne depois auto-suficiente.

A We Do It Together surge depois da publicação dos resultados de um inquérito levado a cabo pela Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego americana, que entrevistou dezenas de realizadoras acerca da discriminação no mundo do cinema e da televisão.

Os resultados dizem que as mulheres recebem atualmente 16% do trabalho na realização em séries para a televisão e, no que diz respeito aos filmes dos grandes estúdios, assumem a realização em menos de 5% destes.

Recentemente, a Universidade da Califórnia do Sul publicou um estudo que mostra que, dos 414 filmes analisados, apenas um terço das personagens são mulheres e apenas 28% destas pertencem a minorias étnicas. 74% das personagens são homens com mais de 40 anos.

As mulheres, diz ainda o mesmo estudo, citado pela revista francesa Les Inrockuptibles, representam 15% dos realizadores.

Na direção da produtora encontram-se, além das já mencionadas, figuras como a realizadora Haifaa Al Mansour (O Sonho de Wadjda), o realizador palestiniano Hany Abu-Assad, o crítico Henry Louis Gates, ou as atrizes Marielle Heller e Alysia Reiner

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