José Viegas afasta qualquer "questão pessoal" com Berardo

O secretário de Estado da Cultura afastou hoje a possibilidade de existir qualquer "questão pessoal" entre si e o empresário Joe Berardo, com o qual pretende ter "uma relação normal".

Francisco José Viegas falava ao Jornal da Noite da RTP Informação, a propósito das declarações hoje de manhã de Joe Berardo que admitiu que o secretário de Estado da Cultura poderia ter uma questão pessoal contra si, acrescentando que, se Francisco José Viegas continuasse na pasta até 2016, a cultura em Portugal "desapareceria toda".

"Não esperava esta reação", disse o titular da pasta da Cultura, salientando que essa não pode ser a postura de um governante.

"Pretendemos uma relação normal", disse Viegas, que voltou a afirmar não estar nos seus horizontes a compra da coleção do comendador, defendendo mais uma vez o fim da gratuitidade das entradas no Museu Coleção Berardo, em prol da poupança do Estado e dos contribuintes.

Para o secretário de Estado, "avaliar novamente a coleção não é uma questão de princípio" e salientou que "o Estado não deve um cêntimo a José Berado e já investiu 30 milhões na coleção".

O Centro Cultura de Belém (CCB), onde está instalada a coleção, foi também um dos temas da entrevista, esperando Viegas soluções imaginativas de financiamento por parte do novo adminsitrador, Vasco Graça Moura.

"O Estado manterá a sua subvenção", disse Viegas, mas espera "novos caminhos" e que o escritor imprima o seu cunho no CCB.

Em relação à decisão de Graça Moura para o CCB não seguir o Acordo Ortográfico, o secretário de Estado disse que tinha uma "posição diferente" e lembrou a decisão do Conselho de Ministros que obriga todas as entidades do Estado a usarem a nova grafia desde janeiro deste ano.

"É o que acontecerá em todos os organismos sob tutela do Estado", frisou Viegas.

O governante voltou a referir a possibilidade de "algumas prováveis melhorias a introduzir" no acordo, mas destacou que esse papel será o do Instituto Internacional de Língua Portuguesa e sublinhou que o Vocabulário Ortográfico comum deve estar "trancado" até 2014.

Na próxima reunião de Chefes de Estado e de Governo dos Países de Língua Portuguesa, ainda este ano, será apresentada uma "versão Beta" do Vocabulário, adiantou o secretário de Estado.

Os apoios às artes foram também abordados na entrevista, tendo o secretário de Estado garantido que, "dentro de semanas", serão disponibilizados às companhias e entidades mais 1,5 milhões de euros em apoios e que até ao final do ano se distribuirão, através das Direção Geral das Artes, 12 milhões de euros, o que já adiantara terça-feira, no Parlamento.

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