José Luís Peixoto prevê "ação limitada" de novo SEC

O novo secretário de Estado da Cultura (SEC), Jorge Xavier Barreto, irá ter a "ação limitada" devido ao atual orçamento que, na opinião manifestada em Toronto à agência Lusa pelo escritor José Luís Peixoto "humilha" o setor.

José Luís Peixoto falava à Lusa em Toronto, no Canadá, onde hoje termina uma visita de seis dias, durante a qual participou no Festival Internacional de Autores e numa iniciativa da EUNIC - a rede dos institutos nacionais de cultura da União Europeia, entre outros eventos.

Questionado sobre as expetativas que mantém em relação ao secretário de Estado recém-empossado, o escritor comentou: "Ele acaba de entrar em funções, há que dar o benefício da dúvida e acreditar. Mas, já se sabe que irá ter uma ação limitada, porque o orçamento [de Estado] secundariza a área da Cultura e até a humilha".

Esclarecendo nada ter contra Jorge Xavier Barreto, o escritor expressou o desejo de que o mandato do novo titular não contribua para o agravamento da crise no setor.

No âmbito do Festival Internacional de Autores de Toronto, José Luís Peixoto interveio, num painel de debate sobre tradução, decorrido no domingo, juntamente com três outros escritores - Fabio Geda (de Itália), Nora Gomringer (da Alemanha), e Hubert Hadda (Tunísia/França).

O autor português afirma-se um "acérrimo defensor da tradução", apontando-a como um instrumento essencial à divulgação literária internacional.

"Quando falo de traduções, refiro-me às de qualidade, assim como quando falamos de livros, devemos falar dos bons livros e não dos maus", clarificou.

Neste domínio, exemplificou com o seu romance "Cemitério de Pianos", cuja tradução para inglês exprime com integridade a história da realidade portuguesa ali retratada.

Durante esta estada, o autor esteve ainda presente em encontros nas universidades de Toronto e York, que lecionam cursos de Português e numa sessão no quadro da Semana Cultural da Casa do Alentejo de Toronto.

A emigração, temática abordada na sua obra "Livro", suscita grande interesse a José Luís Peixoto, para quem os contatos com as comunidades emigrantes, "além de gratificantes, são uma oportunidade para transmitir um Portugal que não é só o das férias, como muitos conhecem, ou o que apenas se conhece à distância".

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