Jornalismo romano trama Astérix e os gauleses

Fomos a Paris conhecer a nova história da famosa dupla da Banda Desenhada

A atração por protagonistas reais para conviverem com os loucos da irredutível aldeia gaulesa que faz frente a César vem de longe e Uderzo e Goscinny, os "pais" da mais bem-sucedida banda desenhada de sempre, até pensaram em colocar um clone do presidente norte--americano Richard Nixon nas pranchas de uma das quase três dezenas de álbuns que fizeram juntos. Ontem, na Torre Eiffel, na apresentação mundial do novo álbum, O Papiro de César, Uderzo confessou que ainda bem que não o fizeram: "Teria sido um erro, viu-se como acabou a carreira política dele!"

Os seus seguidores na série Astérix, a dupla Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, argumentista e ilustrador, não seguiram os mesmos passos e na próxima aventura surgirão duas personagens inspiradas em pessoas reais e polémicas. O primeiro caso é de Jacques Séguélla, o Bónus Vendetudos, publicitário famoso em França; o segundo, Julian Assange, o Gerapolemix, provocador conhecido em todo o mundo. Justificam esta novidade por ser necessário inovar ao fim de 34 aventuras da anterior dupla e só por Uderzo. Quando questionado com esta mudança, Uderzo apenas diz que confia neles (ler entrevista à direita) e sabe que os gauleses estão bem entregues. O que parece ser verdade, pois Ferri garante que manteve, por exemplo, César com um perfil simpático porque é assim que os leitores querem. Até porque Uderzo fez questão de revelar um par de episódios em que os leitores criticaram desvios da série.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.