João Ribas promete uma nova forma de pensar em Serralves

João Ribas, de 38 anos, foi nomeado diretor do Museu de Serralves, escolhido por unanimidade após um concurso internacional muito concorrido, com candidatos de todo o mundo.

Quatro anos e um dia depois de ter sido apresentado como diretor adjunto do Museu de Serralves, João Ribas foi anunciado como novo diretor da instituição esta quinta-feira, dia 25 de janeiro. Assume a continuidade mas promete "uma nova forma de pensar, novas ideias e novas iniciativas", afirmou ao DN perspetivando os próximos cinco anos de atividade no cargo deixado vago por Suzanne Cotter.

Assumindo a liderança do Museu num ano em que as contas de 2017 apontam para um recorde de visitas (mais de 830 mil), com uma acentuada subida entre os estrangeiros (34%), João Ribas reclama a sua quota-parte neste sucesso: "Uma das razões por que também tenho a honra e o privilégio de estar neste cargo é precisamente pelo trabalho que fiz para isso acontecer juntamente com a anterior direção."

A programação deste ano de Serralves, revelada na sexta-feira passada, já tem a sua marca, não havendo "uma divisão assim tão clara no sentido em que nos últimos quatro anos também estive a construir a programação do museu, algo que se refletiu em exposições que fiz para o museu e a nível internacional, como por exemplo a retrospetiva de Helena Almeida", refere o curador. "Mas, claro, vai haver um novo ciclo de programação, com novas ideias, novos horizontes e novas práticas artísticas. Temos um exemplo para este ano que é a exposição dedicada a Robert Mapplethorpe [a inaugurar no Porto em setembro], uma exposição que eu iniciei e que reflete também a minha marca na programação", refere João Ribas.

Parceria com a Tate Modern

Uma marca que voltará a passar fronteiras, tal como aconteceu com a retrospetiva de Helena Almeida, primeiro apresentada em Serralves e depois em Paris e em Bruxelas. "Tendo em conta que a internacionalização é um aparte que sempre distinguiu a Fundação e o Museu de Serralves, claramente que temos interesse em parcerias e estamos a trabalhar para consolidar essa relação internacional com o objetivo de divulgar e levar a produção artística portuguesa ao estrangeiro e também continuar estas parcerias e estas exposições em parceria com grandes instituições internacionais." E revela: "Vamos inaugurar ainda este ano uma exposição em parceria com a Tate Modern, exposição que depois virá para Serralves em 2019. A curadoria será minha e de um curador da Tate". Quanto ao tema da exposição "será anunciado pela Tate Modern", diz o curador, natural de Braga, que viveu durante 26 anos nos Estados Unidos.

O regresso a Portugal aconteceu precisamente em 2014 e, a então diretora Suzanne Cotter, chegada ao Porto em janeiro de 2013, justificava a sua escolha como diretor adjunto por se tratar de "um curador distinguido internacionalmente pela originalidade das suas exposições e pelo seu profundo compromisso com os artistas e o pensamento". Uma referência aos quatro prémios consecutivos de melhor exposição do ano atribuídos pela Associação Internacional de Críticos de Arte dos Estados Unidos, entre 2008 e 2011, entre outras distinções conquistadas durante o seu percurso como curador iniciado no The Drawing Center em Nova Iorque (entre 2007 e 2009) e depois no MIT List Visual Arts Center, em Cambridge (entre 2009 e 2013).

A ligação de João Ribas, de 38 anos, ao trabalho da Fundação é mais antiga e recorda ao DN esse primeiro momento: "Conheci o museu em 2006 quando, a convite da FLAD [Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento], vim a Portugal visitar várias instituições em Lisboa e no Porto. Tive oportunidade de conhecer grandes artistas portugueses como Ângelo de Sousa. Foi uma experiência que me marcou muito. Já conhecia o trabalho de muitos deles, mas conheci pessoalmente os artistas, o que alimentou o meu interesse na arte portuguesa e eventualmente na inclusão de artistas portugueses em exposições nos Estados Unidos."

"Já tinha trabalhado com artistas portugueses no contexto norte-americano, organizando exposições com artistas como Gabriel Abrantes e coletivas que integraram [João Maria ] Gusmão e [Pedro] Paiva, Leonor Antunes", enumera João Ribas que, a par do trabalho de curadoria, também lecionou na Yale University School of Art, na Rhode Island School of Design e na School of Arts, em Nova Iorque.

Ontem, a administração da Fundação de Serralves destacou o "excelente percurso" de Ribas, escolhido por unanimidade, "num concurso internacional muito concorrido em que participaram candidatos de todo o mundo". E congratulou-se pela escolha do novo diretor recair numa "pessoa da casa" e por ser um "português" que irá liderar "o novo ciclo que se aproxima com a comemoração dos 20 anos do Museu de Serralves".

"Julgo que é muito importante, em especial ser um português que teve uma relevantíssima carreira internacional. Tem uma enorme vantagem de conhecer Serralves", explicou Ana Pinho, presidente do conselho de administração e um dos membros do júri do concurso internacional formado ainda pelos vice-presidentes Isabel Pires de Lima e Manuel Ferreira da Silva e por três membros externos: Vicente Todolí, primeiro diretor do Museu de Serralves, Laurent Le Bon, presidente do Musée National Picasso, e Jochen Volz, diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

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