Joan As a Police Woman: "Todas as minhas canções são canções de amor"

Primeiro chega o disco, depois chegará o concerto. Portugal trata bem Joan as a Police Woman, e ela gosta sempre de regressar

Quatro anos depois do último trabalho em nome próprio, Joan As a Police Woman está de regresso com Damned Devotion, um álbum em que recupera a memória das baladas românticas dos anos 70 e 80. Uma vez mais, a cantora americana reinventa por completo todo o seu universo musical, agora marcado pela suave sonoridade dos sintetizadores, que neste disco fazem brilhar letras sobre amor, paixão, ciúme, desilusão e remorso. Quando se deu a conhecer, em 2006, com o muito elogiado registo de estreia Real Life, Joan As Police Woman ganhou de imediato o estatuto de estrela da música indie, confirmado nos anos seguintes, com os não menos aclamados To Survive (2008) e The Deep Field (2011). Há quatro anos, com The Classic, um disco revivalista de orquestrações grandiosas, no qual se aventurou, pela primeira vez, pelos terrenos da soul e do jazz, dando uma reviravolta na sua sonoridade. Tal como aconteceu mais recentemente com Let It Be You, assinado a meias com o músico nova-iorquino Benjamin Lazar Davis. E de novo agora, com este trabalho, no qual voltou a sentir o prazer, como afirma nesta entrevista ao DN, de "voltar a escrever canções como se fosse a primeira vez". Ainda sem data marcada para regressar a Portugal, a cantora admite que não só o quer fazer como que o país é o dos que melhor a recebe no mundo. Eis Joan As a Police Woman, de regresso.

O que a levou a fazer um álbum com letras tão despidas e pessoais, nas quais, aparentemente, fala de forma tão direta sobre as suas relações?

É difícil responder a essa pergunta, porque todas as minhas letras são muito pessoais. É quase como se me pedissem para analisar o meu próprio sangue. Reconheço que essa sensação esteja presente para quem ouve o disco pela primeira vez, porque as letras são de facto muito cruas e diretas, mas não podemos falar de amor sem falar de dor e de tristeza.

E porquê esta temática do amor?

Porque é o melhor tema para se escrever. O amor traz-nos tudo para cima, para o bem e para o mal, é por isso que estou sempre a tentar falar de amor na minha música. E embora nem sempre o consiga fazer de uma forma muito clara (risos), não tenho dúvidas em afirmar que todas as minha canções são canções de amor. Adoro observar o modo como o amor me afeta e a todos meus amigos nas mais pequenas coisas do dia-a-dia. Podemos até estar muito saudáveis e perfeitos na nossa vidinha, mas basta entrar numa relação para tudo isso mudar de imediato.

Mais uma vez, este disco marca uma quase total rutura com o anterior...

O último disco que fiz, Let It Be You, foi uma colaboração (com o músico nova-iorquino Benjamin Lazar Davis) e portanto foi um trabalho bastante diferente daquele que costumo fazer a solo. Na verdade, enquanto artista, estou sempre a explorar novas possibilidades para a minha música. É isso que eu apenas pretendo, fazer música, mas também sei que nunca mais vou fazer o que já fiz. Porventura até seria mais fácil, mas não estou minimamente interessada nisso, porque gosto muito da sensação de escrever canções como se fosse sempre a primeira vez.

Este disco parece muito marcado pela memória das baladas românticas das décadas de 70 e 80, com suaves sintetizadores suaves a embalar letras de amor e perda, concorda?

Absolutamente, aliás, até encaro isso como um elogio, muito obrigado, porque era precisamente esses ambientes que eu pretendia recriar neste disco.

Dos doze temas que compõem o álbum tem alguma música favorita, que mexa mais consigo?

Essa é uma escolha muito difícil de fazer, porque são todas canções muito especiais. Prefiro devolver-lhe a pergunta, quais são as suas preferidas?

Warning Bell, Tell Me, What Was It Like, Silly Me e talvez a última, I Don"t Mind...

Boa escolha, só demonstra uma certa sensibilidade (risos). São também algumas das minhas preferidas, tal como a Valid Jagger e a The Silence, neste caso porque representam algo que nunca tinha feito até agora.

Podemos esperar uma apresentação ao vivo do disco aqui em Portugal?

Espero bem que sim, até porque Portugal é um dos sítios que melhor nos recebe em todo o mundo. Ainda não tenho todas as datas da digressão europeia, mas estou certa que vamos regressar aí.

Como é que uma artista que não gosta de se repetir lida com o facto das pessoas, nos concertos, esperarem constantemente ouvir as canções dos discos mais antigos?

Isso é perfeitamente normal e por norma interpreto sempre algumas das músicas mais antigas em todos os meus espetáculos, mas, como tudo na vida, depende sempre da minha disposição no momento (risos). Por outro lado, muitas vezes não estou preparada para as tocar, porque são canções complicadas e necessitam de ser ensaiadas e preparadas, mas o público não têm de saber isso. Acima de tudo é muito lisonjeador que as pessoas simplesmente conheçam as minhas canções, isso é o mais importante para mim, enquanto artista. E que, passados tantos anos, ainda as continuem a querer ouvir.

Damned Devotion

Joan as Police Woman

PIAS

PVP: 11,99 euros

Lançamento:

9 de fevereiro

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