Improvável contador da verdade

O realizador está destacado na Guilda dos Realizadores. Com A Queda de Wall Street muda da comédia para a "comédia séria"

É já um dos campeões da temporada dos prémios. Adam McKay é um herói improvável, um realizador vindo da comédia mainstream que consegue a aclamação da crítica americana com esta sua "comédia séria" sobre a crise da queda de Wall Street em 2008. Este é o mesmo Adam McKay de Anchorman - O Repórter e Que Se Lixem as Notícias.

Um dos príncipes (será rei?) da nova comédia americana que esta semana já viu o seu nome na lista para melhor realizador nos prémios da Guilda dos Realizadores Americanos com A Queda de Wall Street, ao lado de Tom McCarthy, Ridley Scott, Iñarritu e George Miller. Ou seja, terá tirado o lugar a ilustres como Tarantino, Todd Haynes e Steven Spielberg. Em Londres, garante-nos, não acredita que possa vir a ganhar o Óscar mas já está muito feliz em ter chegado aos Globos de Ouro.

Com a sua voz cortante e um sorriso malicioso conta-nos também que quer que o filme incomode os banqueiros americanos e não nega a vertente de cinema- -denúncia: "Eles não estão a gostar de estarmos a dizer de forma explícita o que se passou. Está lá tudo, inclusive os nomes deles... Muitos investiram para que esta crise não fosse explicada! Os jornais do Robert Murdoch adorariam que tudo isto fosse esquecido. A verdade é que mostrei o filme a professores catedráticos de Economia e banqueiros ingleses e todos concordam: foi isto que aconteceu na queda da bolsa em 2008!"

A Queda de Wall Street é um filme que nos vai tornar mais céticos em relação à integridade bancária em geral, mas também será sempre lembrado como o filme que nos deu Margot Robbie numa banheira a explicar-nos o que são subprimes... " e no fim aquela última frase é improvisação dela", assegura o realizador.

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...