Hot Clube quer receber "uma invasão de famílias"

No Dia Internacional do Jazz, que se assinala amanhã em todo o mundo, o Hot Clube de Portugal abre as portas às 15.00 para uma matiné. A ideia é levar novos públicos ao número 48 da Praça da Alegria

Uma maratona de jazz, que começa em plena Praça da Alegria às três da tarde, com os Dixie Gang. Depois, a banda entra na casa do jazz, o Hot Clube de Portugal, onde segue a festa com vários concertos no programa. Neste domingo desenha-se diferente com o clube, fundado em 1948, a piscar o olho a novos públicos. Isso mesmo assume Inês Cunha, presidente do conselho diretivo da instituição: "Vamos abrir num horário a que normalmente não estamos abertos para levarmos as crianças que são nossas alunas ao clube. Queremos que famílias inteiras nos visitem. Esta é uma oportunidade de conhecer o clube, de ouvir tocar jazz por pessoas diferentes. Queremos que o Hot Clube se abra aos públicos não tradicionais do jazz."

A matiné@hotclube começa às 15.00, na rua. "A festa começa cá fora com os Dixie Gang, na Praça da Alegria, e entra pelo clube", conta Inês Cunha. O HCP preparou uma programação com um triplo objetivo: para além de levar gente nova ao espaço, quer divulgar os discos já editados na label do Hot e mostrar as várias abordagens do jazz. E, claro, fazer a festa.

Depois da atuação dos Dixie Gang, será apresentado o mais recente título da coleção de discos do Hot Clube, precisamente desta banda. "É uma edição quentinha e vai ser apresentada no domingo." Os discos do Hot, que incluem o quarteto Just in Time, o Septeto HCP e a Orquestra de Jazz do Hot, estarão à venda durante todo o dia a um preço especial.

A programação segue com os veteranos Just in Time (16.00), com os alunos finalistas da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas (17.00), o Septeto do Hot Clube de Portugal (18.30) e novamente os alunos da escola, desta vez com o combo do ateliê de iniciação do jazz (19.30). Depois de uma pausa para "discos e petiscos", a jornada é retomada às 21.30 com a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal. Vão apresentar A Dança dos Pássaros, com música de António Pinho Vargas sob a direção de Luís Cunha.

"Esperamos uma enchente de pessoas que tenham curiosidade sobre o Hot Clube, que venham conhecer como funciona o Hot Clube", diz Inês Cunha. Frisa que os bilhetes para este dia custam cinco euros e que as crianças até aos 10 anos não pagam. Precisamente para irem, muitas. "Queremos uma invasão de famílias no Hot Clube de Portugal. Queremos que levem as crianças. Já nos ligaram a perguntar se podem trazer crianças... podem trazer crianças!"

Muitas irão - seguramente aproveitando a vitalidade da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas, tão enfatizada por Inês Cunha. Batizada em homenagem ao fundador do clube, a escola foi criada em 1979 e tem atualmente 290 alunos, entre o ateliê de iniciação ao jazz, a oficina de introdução ao jazz, o curso regular e o curso livre.

O Hot Clube de Portugal é um dos clubes de jazz mais antigos da Europa. Desde os anos 50 na Praça da Alegria, no centro de Lisboa, o clube foi destruído por um incêndio na cave do número 39 em 2009, tendo mudado anos depois para o 48. É considerado um dos cem melhores clubes de jazz do mundo pela revista americana DownBeat. Em 2016, o jornal britânico The Guardian colocou-o entre os dez melhores da Europa.

O Dia Internacional do Jazz comemora-se desde 2012 e foi criado pela UNESCO para lembrar a importância do jazz e "o seu papel diplomático de unir pessoas em todos os cantos do globo". Havana, em Cuba, é neste ano a cidade anfitriã e irá acolher o espetáculo All-Star Global, que irá juntar em palco mais de 50 músicos de jazz, entre os quais Herbie Hancock, Ivan Lins, Esperanza Spalding e Kurt Elling. "Quem aprecia jazz sabe que este tipo de música serve de ponte para unir as culturas, é a ferramenta para fomentar o diálogo e a cooperação e criar uma coexistência pacífica", disse Hancock, embaixador da Boa Vontade da UNESCO.

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