História de amor lésbico "Carol" com Cate Blanchett vence prémio Queer em Cannes

Entre a crítica, há mesmo quem aponte a possibilidade de o filme ser candidato ao Óscar.

Uma história de amor lésbico, protagonizado por Cate Blanchett venceu o prémio Queer Palm no Festival de Cannes.

O prémio não oficial foi para "Carol", do diretor Todd Haynes, que conta a história de um caso de amor ocorrido em 1950, em Nova Iorque, numa altura em que a homossexualidade era ainda criminalizada.

Os críticos do festival estão muito entusiasmados com este filme, que é visto como um sinal de que está na lista para a Palma de Ouro que é atribuído domingo e já há mesmo quem discuta a possibilidade de vir a ser um possível candidato ao Óscar.

"É mais do que apenas um filme simples - é um momento histórico - a primeira vez que uma história de amor entre duas mulheres é tratado com o respeito e a importância que atribuímos a todos os outros romances cinematográficos", disse a presidente do júri do prémio Queer, Desiree Akhavan, atriz americana.

O prémio coincidiu com uma boa notícia para os ativistas dos direitos dos homossexuais na Irlanda, onde os eleitores apoiaram a legalização de casamentos do mesmo sexo, bem como a organização do Festival Eurovisão da Canção na Áustria depois da vitória do ano passado pela cantora travesti Conchita Wurst.

O júri do prémio Queer Palm também deu uma menção especial para o filme "The Lobster", uma fábula excêntrica sobre amantes que correm o risco de serem transformados em animais se não conseguirem encontrar um parceiro, película que conta com o desempenho de Colin Farrell e Rachel Weisz.

Embora o filme não contenha temas homossexuais explícitos, o júri considerou que "ridiculariza normas sociais absurdas e convenções relacionadas com as relações sexuais".

Akhavan disse que a menção especial para "The Lobster" refletiu a falta de representação abertamente 'gay' entre as obras alvo da seleção oficial deste ano em Cannes.

"Eu tinha muitas dificuldades em encontrar qualidades na selecção dos filmes deste ano. Nada parecia suficientemente 'gay'", disse ela.

A atriz rejeitou as críticas do Queer Palm que foram feitas pelo cineasta francês Xavier Dolan que, no ano passado, disse que achou "nojento" quando tentava distinguir o cinema 'gay' do cinema dito comum.

"Foi através do cinema estranho que eu encontrei confiança em mim mesmo e a força para sair num momento em que eu estava a tentar entender o que significava ser 'gay'", disse Akhavan.

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