Hélia Correia venceu Prémio Camões. "O que faço agora?"

A escritora portuguesa sucede, por unanimidade, a Alberto da Costa e Silva no maior galardão literário da língua portuguesa que já distinguiu Sophia ou o angolano Pepetela.

"O que é que eu faço agora? Estava aqui tão bem quietinha..." Eis a reação de Hélia Correia ao saber-se ontem vencedora do Prémio Camões 2015, segundo o seu companheiro Jaime Rocha. Ou seja, a reação ao saber-se sucessora de José Saramago (Prémio Camões 1995), Sophia de Mello Breyner (1999), Pepetela (1997) ou António Lobo Antunes (2007) no maior galardão que, desde 1989, distingue a criação literária em língua portuguesa.

Jaime Rocha começava por contar que, "com esta chuvinha que passou", Hélia - em relação à qual logo se sente um pudor por perturbar a paz recolhida que lhe conhecemos - se lançou a um novo romance, "que vem com força" nas mãos daquela que, conta ele que a via, "não estava nada à espera" de ser o 11.º autor galardoado, e que "já não estava à espera do [Grande Prémio do Conto] Camilo Castelo Branco", que venceu em maio por Vinte Graus e Outros Contos.

E finalmente Hélia vem ao telefone: "Estas coisas são muito difíceis de pôr em palavras. Não quero parecer arrogante, mal-criada nem mal-agradecida." É autora de uma obra onde o romance, a novela e o conto são senhores por entre a poesia que também compõem a sua obra e, arrisque-se, entram igualmente prosa adentro. A voz é calma, pausada, quase de menina, malgrado os seus 66 anos.

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