Hélia Correia dedica Prémio Camões à Grécia

Decorreu hoje a entrega do maior galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Luís de Camões, no Palácio Foz em Lisboa. Hélia Correia dedicou-o à Grécia.

Hélia Correia terminou o discurso de agradecimento do Prémio Luís de Camóes 2015 com um "viva a Grécia", ontem, numa cerimónia em que recebeu a distinção das mãos do Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e do Ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira.

Durante o discurso de agradecimento a autora de Bastardia ou Adoecer disse ser uma amante da língua portuguesa: "Amo mais a língua do que a pátria e imagino-me armada a lutar por ela". Falou do poder da economia numa fase em que a palavra "tende a ser esmagada pelos números". E terminou a dedicar o prémio com que foi distinguida à Grécia, país "de onde vem a poesia, sem ela não seríamos nada e sem ela não teríamos nada, viva a Grécia".

Com a publicação de A Terceira Miséria, obra distinguida em 2014 com o prémio Correntes d'Escritas, Hélia Correia quis homenagear a Grécia, destacando "a voz de um país que está a sofrer uma opressão impensável", como afirmou, na altura, durante o festival literário da Póvoa de Varzim.

Quando recebeu este prémio, Hélia Correia recordou os ensinamentos universais da Antiguidade e a sua importância para a atualidade: "Ver tudo o que existia na Grécia clássica, em que tudo era feito pelo homem, para o homem e à medida do homem".

O Prémio Luís de Camões foi atribuído a Hélia Correia no mês passado por unanimidade, em reconhecimento da sua escrita que "revela uma inquieta serenidade", destacou a presidente do júri Rita Marnoto durante a cerimónia. Jorge Barreto Xavier, salientou também o amor da escritora ao que faz na medida em que "ela ama tanto a literatura que para ela ser disintinguida é o mesmo que nós sermos distinguidos por respirar".

O Prémio Camões foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989 como forma de reconhecer autores "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da literatura de língua portuguesa em todo o mundo", de acordo com a organização.

O primeiro distinguido, em 1989, foi o escritor português Miguel Torga.

O júri da 27.ª edição do Prémio Camões contou com Rita Marnoto, professora na Universidade de Coimbra, Pedro Mexia, crítico literário e escritor, Inocência Mata, professora nas universidades de Lisboa e de Macau, e pelos escritores Affonso Romano de Sant'Anna, António Carlos Secchin e Mia Couto.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

"Petróleo, não!" Nesta semana já estivemos perto

1. Uma coisa é termos uma vaga ideia de quão estupidamente dependemos dos combustíveis fósseis. Outra, vivê-la em concreto. Obrigado aos grevistas. A memória perdida sobre o "petróleo" voltou. Ficou a nu que temos de fugir dos senhores feudais do Médio Oriente, das oligopolísticas, campanhas energéticas com preços afinados ao milésimo de euro e, finalmente, deste tipo de sindicatos e associações patronais com um poder absolutamente desproporcionado.