Há um "obrigado" no Facebook de Zé Pedro

Músico morreu esta quinta-feira aos 61 anos

Zé Pedro, o guitarrista dos Xutos e Pontapés, morreu esta quinta-feira aos 61 anos. No dia da morte do músico, e poucos minutos depois de a notícia ter sido tornada pública, houve uma atualização na página do Facebook do cantor, um singelo "obrigado" acompanhado por uma foto de Zé Pedro, ao qual os fãs responderam de forma imediata. "Obrigados nós! As lendas não morrem!", escreveu um internauta. "Até já, homem do leme", escreveu outra fã, enquanto outra acrescentava: "Obrigada eu por todos os momentos vividos ao som da tua guitarra!".

No passado dia 5 de novembro, Zé Pedro escrevera no Facebook, a propósito do concerto no Coliseu dos Recreios, o último dos Xutos em que esteve: "Entrar em qualquer sala com lotação esgotada é maravilhoso. Os Coliseus têm uma magia muito própria e o concerto de ontem foi muito especial. Como sabem tenho andado na luta da vida com alguns problemas de saúde... Tentei e tento dar sempre o melhor de mim. O vosso carinho, o vosso amor, a vossa energia, toda a força que me transmitem é-me tão forte e vital que só posso humildemente agradecer.... Obrigado também a todos os que ontem gritaram o meu nome e fizeram com que tivesse força para continuar naquele palco até ao fim. Obrigado à Cristina e aos X&P por tudo e por tanto. Amanhã começo um novo tratamento e garanto que é para ganhar. Eu sei lutar e acredito".

José Pedro Amaro dos Santos Reis morreu em casa, aos 61 anos. Nasceu em Lisboa a 14 de setembro de 1956, numa família de sete irmãos, "com um pai militar, não autoritário, e uma mãe militante-dos-valores-familiares", como recordou num dos capítulos da biografia Não sou o único (2007), escrita pela irmã, Helena Reis. Passou parte da infância (até aos seis anos) em Timor, onde o pai esteve destacado.

Em 1977 faz um InterRail e, em França, assistiu a um festival punk, em Mont-de-Marsan. Foi aí que começaram a germinar os Xutos & Pontapés, admite a irmã. Chegariam um ano depois. A banda que hoje não precisa de apresentações, fez um longo caminho na afirmação do rock em Portugal e marcou várias gerações. Estreou-se em palco em 1979, nos Alunos de Apolo, em Lisboa, lançou o primeiro álbum em 1982 - 1978-1982. Na altura Zé Pedro morava em Almada, estudava em Agronomia e estudava contrabaixo no Conservatório.

O músico esteve ligado a outros projetos, como os Maduros, Ladrões do Tempo e Palma's Gang. Foi DJ, e abriu em Lisboa "o melhor clube do mundo", o Johnny Guitar, em Santos. Fez incursões no cinema e nas passereles de moda mas regressaria sempre aos Xutos & Pontapés. A banda que voltou a encher o Coliseu no dia 4 para o derradeiro adeus do seu público.

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