Grande Prémio de Romance e Novela para Mário Cláudio

A Associação Portuguesa de Autores atribuíu hoje o Grande Prémio de Romance e Novela - 2014, ao livro Retrato de Rapaz de Mário Cláudio. O escritor vai editar um novo romance em setembro

O júri constituído por José Correia Tavares, que presidiu, Ana Paula Arnaut, Isabel Cristina Mateus, Maria João Cantinho, Miguel Miranda e Miguel Real, ao reunir pela 3.ª vez, decidiu maioritariamente atribuir o Grande Prémio de Romance e Novela ao livro Retrato de Rapaz de Mário Cláudio. Isabel Cristina Mateus e Maria João Cantinho votaram em Impunidade, de H. G. Cancela (Relógio D'Água).

Mário Cláudio que havia sido premiado, há 30 anos, com Amadeo, junta-se a Vergílio Ferreira, António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís e Maria Gabriela Llansol, únicos autores que entretanto bisaram.

Dos 86 livros admitidos ao concurso, de 64 homens (1 com 2 romances) e 21 mulheres, com a chancela de 35 editoras, o júri, na 2.ª reunião, já destacara 5 finalistas. Sendo que eram finalistas desta edição as obras Os memoráveis, de Lídia Jorge, Cláudio e Constantino, de Luísa Costa Gomes, Retrato de rapaz, de Mário Cláudio, No céu não há limões, de Sandro William Junqueira, e Impunidade, de H.G. Cancela.

Dotado com 15.000 euros, e atribuído a 28 autores (15 homens e 13 mulheres), de 18 editoras, o Grande Prémio de Romance e Novela APE/DBLAB, instituído em 1982, teve, nesta 33.ª edição, o patrocínio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Fundação Calouste Gulbenkian, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Instituto Camões e Sociedade Portuguesa de Autores.

A editora D. Quixote anunciou entretanto que em setembro o escritor publicará um novo romance, intitulado Astronomia. A obra estará dividida em três partes, intituladas "Nebulosa", "Galáxia" e "Cosmos", referentes "a três fases fundamentais da vida do protagonista: a infância, a idade adulta e a velhice", explica a editora.

Este livro, que ficciona a vida de Giacomo, discípulo do pintor renascentista Leonardo da Vinci, é o segundo de uma trilogia de novelas dedicadas a relações entre pessoas de idades distintas.

A trilogia foi iniciada em 2008 com "Boa noite, senhor Soares", no qual é revisitado o semi-heterónimo Bernardo Soares, de Fernando Pessoa, e a relação com António, "moço de escritório", e concluída este ano com "O fotógrafo e a rapariga", sobre o escritor Lewis Carroll e Alice Lidell, que inspirou "Alice no País das Maravilhas".

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