Gloria Grahame à luz de Annette Bening

AS ESTRELAS NÃO MORREM EM LIVERPOOL Paul McGuigan

Como devolver à memória coletiva uma das grandes atrizes da Hollywood clássica? A resposta está na extraordinária Annette Bening, que, com uma belíssima composição, representa neste filme o crepúsculo de Gloria Grahame.

É no seu corpo que tudo começa e acaba, como uma história que se conta por gestos e olhares. E esta é a história do último romance da atriz de Matar ou Não Matar, que, em 1981, se entregou aos braços do jovem ator Peter Turner (comovente Jamie Bell), numa angustiante despedida da vida, marcada por um cancro.

Realizado pelo escocês Paul McGuigan, a partir do livro homónimo de Turner, esta produção inglesa é uma terna homenagem à estrela americana, através do simples encontro de duas almas e de todo o passado que espreita, ora numa tela de cinema ora num diálogo. Como num título de Fritz Lang, ela é puro desejo humano.


Classificação:*** (Bom)

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Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.