Frears, Moore e Ridley Scott no elenco de Toronto 2015

Com o anúncio de grande parte do programa do Festival de Toronto abriu oficialmente a temporada de prémios 2016. No TIFF há também filmes populares e estreias mundiais

Michael Moore e o seu documentário parcialmente rodado em Portugal, Ridley Scott em antestreia mundial e a vida e queda de Lance Armstrong por Stephen Frears são alguns dos trunfos ontem anunciados do TIFF - Toronto International Film Festival, a ter lugar entre 10 e 20 de setembro.

Veja o trailer de Perdido em Marte:

Hoje são anunciados os filmes a concurso em Veneza, mas o maior festival da América do Norte tem já um elenco invejável, a começar pelo filme de abertura, Demoliton, do québécois Jean-Marc Valée, drama intenso com Jake Gyllenhaal.

Pelo terceiro ano consecutivo, o cineasta coloca um filme em Toronto. Em 2013 foi a estreia de O Clube de Dallas e o ano passado Livre, com Reese Whiterspoon. Um bom sinal para os Óscares. Desta vez, acompanha o processo de luto de um homem que tenta seguir a vida depois da morte da sua mulher. Consta que a interpretação de Naomi Watts pode dar o hat trick ao realizador em termos de nomeação aos Óscares dos seus atores. Valée é o caso de como um cineasta do Québec pode conseguir implantação em Hollywood.

Curioso é já estar fechado e concluído Where to Invade Next, de Michael Moore, cujas filmagens por Lisboa em abril e maio causaram grande espanto por cá. Agora, sabe-se mais sobre o filme: é uma comédia, ou melhor, uma provocação. Moore tenta "ajudar" a Administração Obama e diz ao Pentágono que ele próprio mais a sua câmara vão a pequenos países insuspeitos ver onde será melhor uma invasão americana. Portugal e Espanha fazem parte da lista. Um documentário comédia com críticas ferozes à política externa americana. Será que pode fazer estragos aos Democratas em ano de eleições primárias?

E porque este é um festival que trata tão bem o filme mais "indie" e o de grande estúdio, a 20th Century Fox escolheu Toronto para a antestreia mundial de um seus títulos mais fortes: Perdido em Marte, de Ridley Scott, aquele que deverá ser o pedido de desculpas formal por Exodus (2014), porventura um dos seus maiores equívocos. Matt Damon é um astronauta que fica para trás no Planeta Vermelho depois de uma arriscada missão. Um thriller espacial que remete para o universo de Alien (1979), ainda hoje um dos seus melhores filmes.

Leia mais pormenores na edição impressa ou no e-paper do DN

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.