"Flores" e "A Fábrica do Nada" vão ao Festival de Toronto

Mais dois filmes portugueses foram selecionados para o festival que anunciou hoje a programação de várias secções. Mas haverá mais portugueses em Toronto.

Flores, o filme de 26 minutos realizado por Jorge Jácome é um dos títulos portugueses selecionados para o Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, de 7 a 17 de setembro. O realizador coloca a ação num cenário de crise natural nos Açores provocada por uma incontrolável praga de hortênsias. A população vê-se forçada a abandonar as ilhas mas dois jovens soldados, sequestrados pela beleza da paisagem, resistem à partida. O filme conta com interpretações de André Andrade, Pedro Rosa, Gabriel Desplanque e Jorge Jácome.

Flores já foi mostrado no Indie Lisboa, no Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde e no Wal&Talk, em Ponta Delgada. Em Toronto, será apresentado na secção de "Wavelenghts 3: Figures in a Landscape". "Wavelenghts" é o programa de cinema experimental do festival, que depois se subdivide em curtas e longas-metragens, sendo que nas curtas há ainda quatro divisões temáticas.

Já a longa A Fábrica do Nada, de Pedro Pinho, aparece em "Wavelengths - Features". O filme ganhou o prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema no último festival de Cannes.

Além destes, há mais dois filmes que envolvem portugueses no festival de Toronto.

The Captain, do alemão Robert Schwentke, é uma coprodução entre a Alfama Films de Paulo Branco (França), a Filmgalerie 451 (Alemanha) e a Opus Film (Polónia). O filme conta a história de Willi Herold, um soldado desertor do exército alemão antes do final da Segunda Guerra Mundial. Em fuga, descobre o uniforme de um capitão e assume uma nova identidade. Robert Schwenkte é o realizador de, por exemplo, Pânico a Bordo (2005) e Red: Perigosos (2010). The Captain estará na secção "Apresentações especiais" e terá a sua estreia no festival.

Por fim, Zama, da realizadora argentina Lucrecia Martel, a partir do romance de Antonio Di Benedetto, que se vai estrear no Festival de Veneza (de 30 de agosto a 9 de setembro). O filme é uma coprodução Argentina, Brasil, Espanha, França, Holanda, México e Portugal - através de Luís Urbano e da produtora O Som e a Fúria. A direção de fotografia é de Rui Poças. Zama será apresentado na secção "Mestres".

Estes filmes vêm juntar-se a Água Mole, de Laura Gonçalves, e , de Alexandra Ramires, que já tinham sido anunciados na seleção de curtas-metragens do festival.

Veja a programação completa do festival no site oficial.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.