Finalmente, os Coches ganham voz

O projeto expositivo que permitirá ler os veículos históricos da coleção do museu mais visitado do país será inaugurado a 19 de maio. O museu encerra no dia 26 de abril para concluir o plano de Paulo Mendes da Rocha e de Nuno Sampaio.

Museu Nacional dos Coches inaugura o novo projeto expositivo no dia 19 de maio, confirmou ao DN o Ministério da Cultura. Para instalar os equipamentos que vão permitir ler - e conhecer - os coches e berlindas que fazem parte desta coleção, o edifício encerra ao público partir de 26 de abril, acrescentou a mesma fonte.

O projeto expositivo é da autoria do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, o mesmo que assinou o desenho do edifício, em Belém (em parceria com Ricardo Bak Gordon). "Foi concebido ao mesmo tempo que o edifício", frisa o arquiteto português Nuno Sampaio, a metade portuguesa da museografia do museu que alberga a coleção de veículos que pertenceram à família real portuguesa, e outras peças raras.

Fotomontagem do projeto pensado por Paulo Mendes da Rocha e Nuno Sampaio para a exposição no Museu dos Coches

O projeto, muito aguardado, demorará quase dois anos a ver a luz. O novo edifício do Museu Nacional dos Coches, construído de raiz para albergar este acervo, foi inaugurado, com largas filas, a 23 de maio de 2015, dia em que completava 110 anos desde que a rainha D. Amélia, mulher de D. Carlos, inaugurou a exposição de veículos da Casa Real de Portugal. A ausência de informação que permitisse ler os objetos que aqui se conservam foi a principal crítica, então.

A partir de 19 de maio haverá filmes projetados nas paredes de grande escala, informação em torno dos veículos e vitrinas com objetos relacionados com o universo dos coches - acessórios ornamentais, fardas, armas, segundo Nuno Sampaio.

Fotomontagem do projeto pensado por Paulo Mendes da Rocha e Nuno Sampaio para a exposição no Museu dos Coches

Um dos recursos usados "foi manter os coches - coloridos e bem ornamentados - em contraste com as paredes brancas e imaculadas", detalha. " Nas paredes de grande escala há projeções de 30 metros de comprimento, uma em cada uma das naves". Estes vídeos "podem projetar filmes antigos", exemplifica Nuno Sampaio. "Há um enquadramento estético e uma sonoplastia. Pode ouvir-se por exemplo o som de uma roda no paralelepípedo. Em determinados momentos vai ouvir-se música barroca", continua.

Outro recurso que será usado para partilhar informação com os visitantes, "mais uma vez, o mais rápido possível e ao maior número de pessoas", são as barreiras brancas que a partir de maio serão colocadas em volta dos coches. "São barreiras baixas, levantadas do chão, parece que levitam", revela. "Aproveitamos esse objeto para colocar toda a informação que necessitamos".

Trazer o exterior para o interior

Fotomontagem do projeto pensado por Paulo Mendes da Rocha e Nuno Sampaio para a exposição no Museu dos Coches

"O desafio do projeto expositivo do Museu dos Coches era mostrar, parado, um objeto de movimento - os veículos -, trazer um objeto do exterior para o interior e contextualizar o antigo num edifício contemporâneo", resume, em declarações ao DN, a partir de São Paulo, onde se encontra no âmbito dos projetos da Casa da Arquitetura, em Matosinhos, de que é diretor executivo.

Outro desafio era, segundo Nuno Sampaio, criar um modelo adequado a "um museu popular, de massas". O Museu Nacional dos Coches é o mais visitado da rede gerida da Direção Geral do Património Cultural, com 382 583 visitantes em 2016. "A maneira de explicar o que as pessoas vão ver tinha de responder a essas exigências", nota o arquiteto português. O museu é também um dos mais procurados por turistas e as agências vão começar a ser informadas esta semana do encerramento da instituição por três semanas.

Quando a exposição inaugurar em pleno só ficará a faltar um detalhe do programa inicial: a conclusão da ponte pedonal que cruza linha do comboio, prevista para março de 2016. "Quando o museu reabrir, as obras já deverão ter começado", aponta fonte do gabinete do Ministério da Cultura.

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