Filmes a descobrir no grande ecrã

Eis os grandes filmes que se vão estrear nas salas nacionais em 2018.

Tudo indica que 2017 vai terminar com uma boa frequência das salas de cinema. Tendo em conta os dados do primeiro semestre, não será arriscado prever um aumento de cerca de 15% do número de espectadores em relação aos valores de 2016. O mínimo que se pode dizer em relação ao próximo ano é que diversidade não faltará, na certeza de que os primeiros meses vão ficar marcados pela tradicional temporada dos prémios e, em particular, pelos Óscares. Aqui fica uma amostra do que há para descobrir nos próximos tempos, incluindo alguns títulos que vão disputar as distinções mais importantes.

The Florida Project, Sean Baker

O filme que vai dar o Óscar a Willem Dafoe foi também um dos mais comoventes momentos de Cannes 2017. Uma história do cinema do real situada num verdadeiro motel de Orlando onde conhecemos uma mãe e a sua pequena filha à beira de se tornarem sem-abrigo. A confirmação de um imenso cineasta, Sean Baker. R.P.T.

Chama-Me pelo Teu Nome, Luca Guadagnino

O cineasta italiano de Eu Sou o Amor (2009) regressa com a história romanesca da relação entre um homem e um adolescente, interpretados por Armie Hammer e Timothée Chalamet, respetivamente. No panorama pré-Óscares, Chalamet já foi premiado pelos críticos de Nova Iorque e Los Angeles. J.L.

Don"t Blink: Robert Frank, Laura Israel

O documentário vai continuar a ser um género com uma presença significativa no mercado. Neste caso, trata-se de fazer o retrato de Robert Frank (n. 1924), um dos génios da moderna da fotografia americana - destaque para a gestação do livro The Americans, cuja primeira edição surgiu em 1958. J.L.

A Forma da Água, Guillermo Del Toro

O romance entre uma empregada de limpeza e uma criatura aquática em cativeiro num laboratório, durante a Guerra Fria. Eis a nova fantasia do realizador de O Labirinto do Fauno. Vencedor do Leão de Ouro e com sete nomeações para os Globos de Ouro, A Forma da Água é já um dos filmes do momento. I.N.L.

Ilha dos Cães, Wes Anderson

O próximo Festival de Berlim abre com esta animação stop motion sobre um rapaz à procura do seu amigo de quatro patas num cenário futurista japonês. Ilha dos Cães marca o regresso de Wes Anderson a essa técnica que experimentou em The Fantastic Mr. Fox (2009) e tem tudo para ser uma bela surpresa. I.N.L.

Rock"n Roll, Guillaume Canet

O género da comédia vai marcar o panorama da oferta em salas. Recomenda-se já para os primeiros dias do ano Rock"n Roll, com Guillaume Canet e Marion Cotillard a brincar com a suas próprias carreiras. Humor metarreferencial que é acima de tudo um gozo ao atual cinema francês mercantilista. R.P.T.

Linha Fantasma. Paul Thomas Anderson

Depois de Haverá Sangue (2007), Paul Thomas Anderson volta a dirigir o grande Daniel Day-Lewis numa performance que se anuncia como a última da sua carreira. Em cena está o universo fechado de um mago da alta-costura, em Londres, na década de 1950 - com música de Jonny Greenwood, dos Radiohead. J.L.

15:17 Destino Paris, Clint Eastwood

O que está em causa no novo filme de Clint Eastwood? Talvez uma revolução na perceção do cinema do real baseado numa história verdadeira. Ora, o cineasta de Bird evoca uma tentativa real de terrorismo com os próprios heróis americanos a encenar os seus atos. Hollywood nunca tinha feito esta inversão tão realista... R.P.T.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.