"Filatelia é património cultural"

Guilherme d'Oliveira Martins é um dos onze membros do Conselho Filatélico. O jurista e administrador da Fundação Gulbenkian explica a importância do mundo da filatelia.

Como funciona o Conselho Filatélico?

O Conselho Filatélico reúne-se duas vezes por ano. É diversificado na sua formação para garantir uma boa complementaridade. Tem pessoas como o professor Carlos Fiolhais, o professor Nuno Crato ou o professor Henrique Leitão, entre outros. É um grupo que funciona muito bem. O papel fundamental do Conselho Filatélico é avaliar as emissões em relação quer a efemérides quer a iniciativas importantes a que Portugal esteja associado, e nessa ponderação cada um dos especialistas vai dar a sua sensibilidade. A produção filatélica em Portugal é muito rica, especialmente se compararmos com os melhores do mundo em relação quer à qualidade quer à diversidade. Hoje, o selo tem um valor em si, patrimonial, porque há muitos colecionadores que adquirem selos e as publicações associadas. O conselho avalia também as publicações dos CTT.

O que nasce primeiro, o selo ou o livro?

São as emissões, mas muitas vezes os livros quando são publicados reúnem várias emissões.

O Conselho Filatélico tem alguma preocupação com as futuras gerações?

Sim. Todos os anos há uma publicação para crianças e jovens que tem uma saqueta com vários selos para incentivar a criança ou o jovem a colecionar. Pode colar e há uma aprendizagem relativamente à colagem e à preservação do selo. De algum modo, aqui estamos a incentivar ao colecionismo.

Há quantos anos está no Conselho Filatélico?

Há quatro ou cinco anos.

Estamos aqui a falar de memória. Há uma preocupação em assinalar efemérides mas também trazer temas novos? O mundo contemporâneo também passa pelos selos...

Sim, sim. Essa ideia é particularmente importante. Numa outra qualidade sou o coordenador nacional do Ano Europeu do Património Cultural e uma das preocupações que tivemos no Conselho Filatélico foi associar a filatelia à noção de património, uma noção dinâmica. Se falarmos à comum das pessoas, património parece uma coisa do passado, mas não é. Não é apenas enterrar os bens que recebemos, eles têm sempre uma atualidade. Os selos têm um papel fundamental porque são elementos patrimoniais muito importantes e permitem não só chegarmos à noção de património mas perceber o que é o património. Voltando à iniciativa para as crianças e os jovens, é um exercício de património que está ali a ser feito.

É colecionador?

Sou... o meu pai era colecionador, tinha uma grande coleção, sobretudo de selos nacionais, selos históricos dos anos 1950, 1960 e 1970. Hoje a minha preocupação é partilhar. Por isso ofereci o essencial da minha biblioteca à Biblioteca de Loulé... Os meus selos estão com um dos meus filhos.

Ainda envia carta com selos?

Sim, mando cartas e cartões, gosto muito. Mas temos de tomar consciência de que cada vez menos se utiliza, é a realidade.

E quando começam a olhar para 2019?

Já está! 2018 já é passado. Já estamos a pensar em 2020 e nos anos seguintes.

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