Festival de Sintra propõe um passeio pelas diferentes paisagens do piano

Edição n.º 51 do evento abre com dois concertos a cargo de Michael Nyman no Centro Olga Cadaval e tem como um dos pontos altos um grande concerto gratuito ao ar livre, em Queluz, que inclui disparos de canhão na Abertura 1812

É com duas noites seguidas a cargo do célebre compositor e pianista britânico Michael Nyman (os bilhetes estão praticamente esgotados) que abre a 51.ª edição do Festival de Sintra, esta noite e na de amanhã (sempre às 21.30), no Centro Olga Cadaval. Trechos da banda sonora de O Piano estão contemplados no programa.

O pianista Adriano Jordão, diretor artístico do evento, refere-se a este concerto como "o início de um passeio". Esse conceito é a "linha condutora" sob a qual abriga a totalidade da programação, que se prolonga até ao próximo dia 29.

"Face à enorme e brilhante tradição deste Festival [o mais antigo que em Portugal se realiza], decidi manter as idiossincrasias que são marca identitária e distinguem este Festival dos outros", entre as quais enumera: "o Romantismo, a ligação a Lord Byron, a figura da Marquesa de Cadaval - que está na génese do Festival e que sempre o promoveu - e o piano como instrumento de eleição", conclui.

Sobrevoando o cartaz, Adriano Jordão divisa "um percurso com centro de gravidade no recital da pianista Janina Fialkowska" de dia 21, o qual "mais que todos os outros, simboliza o espírito do Festival: um recital inteiramente dedicado a Chopin". Além disso, a polaco-canadiana Fialkowska "foi uma amiga da Marquesa de Cadaval e uma protegida e favorita de Arthur Rubinstein [1887-1982]", um dos maiores pianistas do século XX, que foi visita e hóspede regular da Marquesa em Sintra e em Veneza.

O Festival é este ano e pela primeira vez realizado em associação com a Parques de Sintra-Monte da Lua.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.