Faltam menos de 180 mil euros para pôr o Sequeira no lugar

Fundação Aga Khan fez o maior contributo de uma só entidade: 200 mil euros. Hoje chega a doação da freguesia da Estrela

Quando ontem, ao final da tarde, o príncipe Amyn Aga Khan entregou um cheque de 200 mil euros a António Filipe Pimentel, o Museu Nacional de Arte Antiga ultrapassou a fasquia dos 400 mil euros de um total de 600 mil que precisa para garantir a compra do quadro a A Adoração dos Reis Magos, de Domingos Sequeira. Este foi, até agora, o maior contributo de uma só entidade no âmbito da campanha de crowd-funding "Vamos pôr o Sequeira no lugar certo" lançada a 27 de outubro pela instituição e surge numa altura em que falta mês e meio para o seu fim, a 30 de abril.

Razão mais do que suficiente para, com os Painéis de São Vicente como pano de fundo, o facto fosse assinalado com pompa e circunstância, contando com a presença de várias personalidades, com destaque, desde logo, para o príncipe Amyn Aga Khan, irmão de Sua Alteza Real o Aga Khan, soberano e líder espiritual da comunidade muçulmana ismaelita.

"Fui informado desta iniciativa por um amigo e imediatamente conversei a respeito da mesma com o meu irmão, Sua Alteza o Aga Khan, e decidimos que a Fundação Aga Khan deveria responder ao apelo de fazer uma contribuição significativa num valor final de 200 mil euros, para ajudar o museu no seu nobre propósito de manter o Sequeira no "lugar certo"", afirmou o príncipe Amyn Aga Khan, em inglês, durante a cerimónia ontem realizada no Museu Nacional de Arte Antiga.

"Uma generosa doação", como referiu o diretor da instituição, que "não caiu do céu", juntou depois o ministro da Cultura, João Soares, também presente que lembrou o seu papel, enquanto presidente da câmara municipal de Lisboa, na rápida aprovação da construção do Centro Ismaili em Lisboa.

Salientando a boa relação entre Portugal e o Imamat Ismaili - "uma instituição de liderança espiritual hereditária atualmente personificada pelo meu irmão", explicou o príncipe Amyn Aga Khan - apelidou a ocasião como "um encontro de bons e velhos amigos". E relembrou os acordos assinados entre Portugal e o Imamat Ismaili ao longo dos últimos dez anos, nomeadamente "o do ano passado para o estabelecimento da sede do Imamat Ismaili em Portugal". Ao abrigo desse acordo, celebrado em junho de 2015, o príncipe Aga Khan terá residência oficial no nosso país e investirá centenas de milhões de euros em investigação científica e cooperação para o desenvolvimento. Para a escolha de Portugal pesou o facto de ter sido o primeiro Estado não muçulmano a assinar acordos com o Imamat Ismaili, primeiro em 2005 e depois em 2009, tendo por base a lei da liberdade religiosa, reconhecendo-lhe um estatuto semelhante ao Vaticano, bem como a boa integração da comunidade.

O príncipe Amyn Aga Khan afirmou ainda ter "a sincera esperança de que a nossa contribuição possa encorajar outros a seguir o exemplo e a responder ao pedido de apoio do museu". Na assistência estava António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial Portuguesa que, questionado pelo DN, disse que "o repto está aceite, agora há que lhe dar uma forma".

E se a 30 de abril não estiverem reunidos os cerca de 180 mil euros que ainda falta, o Ministério da Cultura está disponível para completar a verba? Com um "no fim falamos", João Soares esquivou-se a assumir o compromisso. Mais perentória foi Isabel Botelho Leal, secretária de Estado da Cultura em Viseu: "A campanha de angariação de fundos é do museu."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.