Experiência mística de cinema

Planetário, de Rebecca Zlotowski

Natalie Portman reafirma, com uma segurança admirável, a sua maturidade artística. Logo depois da exigente interpretação de Jackie Kennedy, a atriz surge em Planetário como uma mulher espírita. Ao lado da jovem Lily-Rose Depp (filha de Johnny Depp, que conserva uma expressão muito semelhante à do pai), ela converte a astúcia num espetáculo de elegância fria.

Estas duas irmãs, Laura (Portman) e Kate (Depp), encontram a oportunidade das suas vidas em Paris, pouco antes da Segunda Guerra: um produtor quer fazer das sessões espíritas uma inovação cinematográfica. De vapores mágicos a postos, o filme da francesa Rebecca Zlotowski cresce então em aparência voluptuosa, mas também em irregularidade narrativa. É o cinema como experiência mística enredada em si mesma... Não deixamos, contudo, de apreciar a beleza quase moribunda das personagens.

Classificação: Com interesse (**)

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?