Estação Imagem muda-se para Coimbra e leva dez exposições na bagagem

Exposições, oficinas, slideshows e visitas guiadas fazem parte da nona edição do Estação Imagem, agora à beira Mondego.

Pouco mais de meia hora a pé separa a galeria Pinho Dinis, na Casa Municipal da Cultura, da galeria Pedro Olayo no Convento de São Francisco, em Coimbra, palcos de duas das nove exposições que esta terça-feira, 17 de abril, têm inauguração simultânea. Pelo meio ficam outras sete mostras em cinco locais da cidade que recebem a nona edição do Prémio Estação Imagem num regresso da fotografia à cidade que durante duas décadas recebeu os Encontros de Fotografia.

Segundo Luís Vasconcelos, diretor do Estação Imagem, a edição deste ano conta "com mais exposições" e, pela primeira vez, a dinamização de duas oficinas. A primeira realiza-se nos dias 18 e 19, será centrada em edição fotográfica, coordenada pela diretora de relações internacionais da Agência Europeia de Fotografia (EPA), Maria Mann. A segunda, no dia 20, será sobre reportagem fotográfica, com coordenação do fotojornalista Horacio Villalobos.

Coimbra recebe pela primeira vez este festival de fotojornalismo que já passou por Mora e Viana do Castelo. E é na cidade do Mondego que deste ontem (segunda-feira, 16 de abril), está reunido o júri do Prémio Estação Imagem, que premeia as melhores reportagens fotojornalísticas. O presidente do júri é o espanhol Santiago Lyon, presidente do júri do World Press Photo 2013 e antigo diretor de fotografia da agência de notícias norte-americana Associated Press. No júri do concurso deste ano estarão também os fotojornalistas Sara Naomi Lewkowicz já vencedora de dois prémios World Press Photo (WPP), Marco Longari, fotojornalista da AFP responsável pela fotografia no continente africano, e Tanya Habjouqa, fotógrafa documental especializada no Médio Oriente e também vencedora de um WPP.

O resultado desta "prova cega" do júri, que avaliará as quase 350 candidaturas recebidas este ano - "um pouco mais do que o habitual", situa Luís Vasconcelos - será conhecido a 21 de abril, no Convento de São Francisco quando forem anunciados os vencedores. As fotografias distinguidas darão forma à décima exposição do programa deste ano do Estação Imagem, e será inaugurada a 2 de junho, na Galeria Pedro Olayo (Filho), no Convento São Francisco, onde vai estar até 10 de julho.

Coorganizado pela Câmara Municipal de Coimbra, que se assume também como novo parceiro oficial do evento, o Estação Imagem inclui ainda um mercado do livro de fotografia (no átrio da Casa Municipal da Cultura), slideshows com reportagens fotojornalísticas do World Press Photo, France Press, Reuters, Associated Press e Getty Images, entre outros (no Centro de Artes Plásticas) e documentários DocLisboa e Midas Filmes na Blackbox do Convento de São Francisco.

Vida selvagem em destaque

Sobre as nove exposições que hoje abrem portas, Luís Vasconcelos não tem dúvidas em destacar Uma Vida Selvagem, de Michael Nichols, uma retrospetiva do trabalho deste veterano, membro da Magnum Photos durante trinta anos antes de em 1996 se tornar fotógrafo permanente da National Geographic. "É uma grande exposição em qualquer lado do mundo", defende. E, tal como acontece com várias das mostras deste programa, Luís Vasconcelos descobriu-a em Perpignan, França, em setembro de 2017, durante o Festival Internacional de Fotojornalismo. É também a maior exposição: "Ocupa a Sala da Cidade [da Câmara Municipal de Coimbra] que tem 30 metros de comprimento por 11 de largo. Nessa sala vamos ter duas caixas enormes, de dois metros por três, com sete vídeos a contar o making off dos diferentes núcleos que fazem parte da exposição", explica.

Até à Morte, de Marco Longari, no Convento de São Francisco, dá uma perspetiva muito própria das lutas políticas em África durante os últimos quatro anos. "O Marco é uma personagem fantástica. Também o conhecemos em Perpignan, em 2017. Foi o João Silva, o fotógrafo português do New York Times, que nos desafiou a ir ver esta exposição, com o Marco Longari a fazer a visita guiada. E nós fomos. O Marco fez uma visita guiada que nos surpreendeu imenso: um discurso extremamente consistente, tanto do ponto de vista estético como do ponto de vista jornalístico. As pessoas estavam todas absorvidas por aquilo que ele estava a contar", recorda Luís Vasconcelos ao DN. Uma experiência que se repetirá no sábado, às 13.00. Nesse mesmo dia, mas às 17.00, um outro momento único desta edição com a visita comentada de Ferhat Bouda à sua exposição, Os Berberes em Marrocos, uma das três mostras a descobrir no Centro de Artes Plásticas de Coimbra. Anjo Branco, de Niels Ackermann e Cristãos do Líbano, de Patrick Baz, completam o trio, estando agendada para dia 19, às 18.00, uma visita comentada por Braz.

Mário Cruz, com Talibes (na antiga prisão académica da Biblioteca Joanina) e João Ferreira, com Arquipélago (na ala do jardim do Museu da Ciência) são os dois portugueses representados neste Estação Imagem. Em igual número a presença feminina: Amy Toensing, com Viúvas, na Galeria Pinho Dinis, e Isadora Kosofsky, com Os Três, no edifício Chiado do Museu Municipal.

Tudo de entrada livre porque, como defende Luís Vasconcelos, "fazer isto sem ter as portas abertas não faz sentido. É uma questão de atitude. Nós fazemos isto para partilhar com os outros".

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