França e China chegam a acordo: vai haver um Centro Pompidou em Xangai

Depois do Louvre no Abu Dhabi, agora é a vez do Pompidou ir além das fronteiras francesas. A França e a China estabeleceram hoje as bases de um acordo para o estabelecimento de um Centro Georges Pompidou, de arte contemporânea, em Xangai, declarou o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Esta parceria prevê igualmente uma extensão dos Encontros de Fotografia de Arles, na cidade de Xiamen, no leste da China, disse à imprensa Emmanuel Macron, num encontro conjunto com o seu homólogo chinês, Xi Jinping.

O acordo de hoje insere-se numa estratégia de internacionalização do museu parisiense e surge na sequência de um protocolo assinado no ano passado, com o grupo chinês de capitais públicos West Bund, que previa a abertura do Centro Pompidou em Xangai para o início de 2019, recorda hoje a agência France Presse.

O projeto de internacionalização do Centro Pompidou tem vindo a ser testado desde 2015, na cidade espanhola de Málaga, e prevê igualmente a extensão a Seul, na Coreia do Sul, como foi anunciado pela instituição em 2016.

O objetivo deste projeto do Centro Pompidou, nomeadamente a expansão para a Ásia, é a valorização da sua coleção, apontada pelo setor como uma das mais importantes do mundo, ao nível da arte moderna e contemporânea, a seguir ao Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova Iorque. Em 2017, e pelo nono ano consecutivo, o Centro Georges Pompidou recebeu mais de três milhões de visitantes, atingindo os 3 370 872 entradas (sem contar com os utilizadores da Biblioteca), um aumento de 15% em relação a 2016.

No ano em que comemorou os 40 anos, as mais de 70 iniciativas realizadas durante o ano atraíram 1,5 milhões de visitas, refere o museu em comunicado. A retrospetiva dedicada ao artista britânica David Hockney foi também responsável pelos bons resultados obtidos: ao receber mais de 620 mil visitantes, estabeleceu um novo recorde de visitas para uma exposição dedicada à obra de um artista vivo.

Inaugurado em 1977, em Paris, no Beaubourg, na zona urbana onde antes se encontrava o mercado abastecedor Les Halles, o centro toma o nome do presidente francês Georges Pompidou (1969-1974) e possui um acervo superior a 147 mil peças de arte moderna e contemporânea, que vão da pintura e da arquitetura a novas expressões artísticas, com apelo a novos meios e novas tecnologias.

Henri Matisse, Georges Rouault, Georges Braque, Pablo Picasso, Sonia e Robert Delaunay, Fernand Léger, Vassily Kandinsky, André Breton, Alberto Giacometti, Jean Dubuffet, Mark Rothko, Jasper Johns, Andy Warhol, Renzo Piano e Richard Rogers, sem esquecer os portugueses Maria Helena Vieira da Silva, pintora, e os arquitetos Álvaro Siza Vieira, Nuno Teotónio Pereira e Eduardo Souto de Moura, entre outros, são alguns dos nomes presentes na coleção do Centro Pompidou.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, cumpre uma viagem de três dias à China, que inclui o estabelecimento de protocolos, em diferentes setores, da arte e da cultura, à energia e às novas tecnologias.

O programa de hoje, segundo dia da visita oficial, inclui encontros com o presidente da Assembleia Popular Nacional e com o primeiro-ministro chinês, com empresários e chefes de cozinha franceses radicados na China, além de uma cerimónia de boas-vindas no Grande Palácio e um jantar de Estado.

Na quarta-feira, Macron vai visitar a Academia de Tecnologia Espacial chinesa, onde os dois países trabalham no desenvolvimento de um satélite de observação da Terra.

Esta primeira viagem à Ásia marca uma nova etapa na diplomacia do Presidente francês, concentrada até aqui na Europa e em África, com Emmanuel Macron a querer fazer de Xi Jinping um aliado em várias frentes: ambiente, luta contra o terrorismo, apoio à força do G5 no Sahel e ao desenvolvimento de energias renováveis em África.

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João Gobern

País com poetas

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