Entrar sem medo e sair do mundo

Passeia-se lado a lado com heróis e vilões. Colecionam-se autógrafos, programam-se encontros, joga-se de tudo, desde que envolva eletrónica, pode chegar-se às tatuagens. É o Comic.con, para visitar ainda hoje e amanhã, em Matosinhos

Pode acontecer a qualquer um, sobretudo se se deixar ofuscar pelos brilhos e pela variedade de referências, pela sôfrega ânsia de nada perder. Pode acontecer isto: assim que se entra na imensidão dos pavilhões da Exponor, adaptados a cenário de TV, a ambiente de banda desenhada, a estádio para jogos de vídeo, tropeça-se - literalmente - numa figura alta e imponente, toda vestida de negro e com uma máscara assustadora, de repente reconhecida como muito familiar. O não-iniciado paralisa: acabou de pontapear a canela de Darth Vader. Acabou-se, tanto mais que o sinistro comandante militar das forças do Império caminhava escoltado por uma soldadesca vestida a rigor e pronta a disparar. Espera-se o ribombar da voz de James Earl Jones, tanto mais que, com tanto herói na vizinhança, não se vislumbram os salvadores sabres luminosos dos Jedi. Mas, milagre!, Vader pede delicadamente desculpa. May the force be with me...

Para reequilibrar a pulsação, nada como um chazinho. Na mesma mesa da zona de restauração, a Rainha de Copas (de Alice no País das Maravilhas) mantém um flirt dialogado com um aluno anónimo da escola de Hogwarts. O olhar do ingénuo fixa-se involuntariamente em dois rapazes que parecem acabados de chegar de uma unidade de queimados e desliza para um pensamento sobre a falta de sorte de alguns semelhantes. Só depois se ganha consciência de que aquelas marcas correspondem a um esmerado trabalho de caracterização e maquilhagem, fabricado in loco, perto de um dos muitos balcões que animam a Exponor, em Matosinhos.

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