"Ensaio sobre a Cegueira" em edição de "arte" com ilustrações de Rogério Ribeiro

O romance "Ensaio sobre a Cegueira", de José Saramago, publicado numa "edição única e exclusiva" de apenas 500 exemplares, com prefácio de Vasco Graça Moura e ilustrações do pintor Rogério Ribeiro, está a partir desta quarta-feira nas livrarias.

"Esta é uma edição única e irrepetível, que nasce da amizade do editor José da Cruz Santos com José Saramago, que o juntou a Vasco Graça Moura e Rogério Ribeiro", explica a editora Guerra & Paz, responsável pela edição desta obra.

Trata-se de uma "edição raríssima do aclamado romance de José Saramago" - adaptado ao cinema em 2008 por Fernando Meirelles, numa produção conjunta do Japão, Brasil e Canadá - com um "prefácio inédito de Vasco Graça Moura e dez ilustrações do pintor Rogério Ribeiro", que fazem deste também um "livro de arte".

"São apenas 500 exemplares, publicados em edição de capa dura e lombada de tecido, que perpetuam o encontro destes três nomes, num livro que não voltará a ser editado", destaca a editora.

Ensaio sobre a Cegueira começa com um homem que fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito.

A cegueira alastra rapidamente até uma cegueira coletiva.

Neste romance, as personagens não têm nome e "são pouco características", sendo "identificadas por atributos sumários (o primeiro cego, a mulher dele, o rapaz estrábico, a rapariga dos óculos escuros, o médico, a mulher do médico...)", como destaca Vasco Graça Moura, no prefácio.

O autor de dois livros que intitulou de Ensaio (Ensaio sobre a cegueira e Ensaio sobre a lucidez) falou de si nestes termos: "provavelmente não sou um romancista; provavelmente eu sou um ensaísta que precisa de escrever romances porque não sabe escrever ensaios".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.