Em nome do avô, para que não se esqueça o horror da Guerra das Trincheiras

Jacques Tardi pôs a I Guerra Mundial em Banda Desenhada. Vem ao Amadora BD este fim de semana

Apesar de ser autor de uma obra imensa, tem apenas dez títulos publicados em Portugal, metade dos quais da série Adèle Blanc--Sec. Até à edição portuguesa, já neste ano, Foi Assim a Guerra das Trincheiras, era por cá praticamente desconhecido esse imenso trabalho sobre a Grande Guerra, que lhe tem trazido indiscutível reconhecimento. Como começou esse interesse tão vincado?

É um trauma familiar, sem dúvida alguma, pelo menos no princípio... Trabalho esses temas há quase 40 anos e o ponto de partida de tudo é o meu avô paterno [Paul Tardi], que esteve na I Guerra Mundial e que eu ainda cheguei a conhecer. Morreu quando eu tinha 5 anos e evidentemente não falei com ele sobre essa guerra. Era a minha avó que, depois, me contava o que tinha acontecido ao meu avô, em relatos que me aterrorizavam... não sei se ela não exagerava, se não acrescentava coisas àquilo que recordava, mas aquelas descrições metiam medo e provocavam-me pesadelos. Com aquele avô sempre presente na mente, podia visualizar um ser humano nessas histórias, uma personagem com existência. Tempos depois, vi revistas e jornais antigos com fotografias, caras, cenários, uniformes, armas - tudo isso me foi ficando nítido, sempre com o meu avô em sobreimpressão, sem nunca esquecer a sua presença.

Pode dizer-se então que foi logo na adolescência que se formou o firme propósito de escrever sobre a Grande Guerra?

Sim, foi aí que nasceu a vontade de falar sobe esses homens, sobre essas pessoas que não conheci. Pela maior das coincidências, o primeiro livro que li, que não era uma BD, foi um romance que, tudo indica, terá pertencido ao meu avô e que contava a história de um soldado que ia para a guerra, resgatava um cão nas trincheiras, um cão que mordia os alemães... O soldado ficava ferido mas tudo acabava bem, já que regressava a casa e reencontrava-se com a noiva. Era um romance de propaganda do pós-guerra.

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