Em Alfama aplaude-se o fado e olha-se para o futuro

Entre amanhã e sábado mais de 40 fadistas vão passar pelas ruas deste bairro lisboeta na segunda edição do Caixa Alfama, em que tanto se homenageará um histórico como Fernando Maurício como se dará voz aos mais novos.

Já amanhã e até sábado a Socie-dade Boa União, em Alfama, vai transformar-se no Palco Caixa Futuro, onde será dada uma oportunidade a jovens fadistas, todos eles com menos de 18 anos, vindos não só de Lisboa mas também do Porto ou do Alentejo. "É uma forma de mostrar que o fado é uma canção nacional com futuro e estas promessas refletem essa vitalidade", salienta ao DN José Gonçalez, co-programador do Caixa Alfama e também ele fadista. Esta é apenas uma das várias novidades que o festival promete na sua segunda edição, que receberá nas noites de sexta-feira e sábado mais de 40 fadistas que atuarão entre dez espaços do bairro lisboeta.

O lema do Caixa Alfama passa por "reconhecer e agradecer o passado, viver no presente mas a olhar para o futuro". É, assim, um festival que atravessa gerações, que tanto conta com a presença de fadistas como Maria da Fé e Vicente da Câmara, como Aldina Duarte e Ricardo Ribeiro, passando ainda por Gisela João, Pedro Moutinho ou novatos como Kiko e José Luís Gea-das.

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