Ela resolve os mistérios que o Google nunca desvendou

Por que escolheu Britney Spears aquele livro de autoajuda? Quanto mede Jake Gyllenhaal? Starlee Kine responde a estas e outras perguntas no programa de rádio Mystery Show

Há mistérios do dia-a-dia que, quase se poderia dizer, vão ficar eternamente por resolver. Onde ficaram as chaves que perdemos, quanto mede ou pesa um ou outro ator de cinema que vimos no ecrã, a quem pertencia a nota de vinte euros que, um dia, encontrámos no chão. Nos dias que correm, mistérios que o Google não resolve quase poderiam constituir, aliás, uma categoria.

Ao contrário da maioria das pessoas, Starlee Kine não só não deixa alguns desses mistérios por resolver como criou um programa de rádio para o fazer. "Que se lixe o contar histórias. Eu consigo contar mistérios", diria numa entrevista à revista Vanity Fair. A produtora do sucesso radiofónico nos EUA This American Life, apresenta agora o programa em podcast no Gimlet Media, Mistery Show.

Um mistério por episódio. Por exemplo: Andrea Seigal queria saber como foi o seu livro de autoajuda To Feel Stuff parar às mãos da pop star Britney Spears, como testemunhou uma fotografia em que esta o transportava. Qual Poirot, Kine resolveu o que aqui não se desvendará. Foi no segundo de seis episódios da primeira temporada, que terminou em agosto.

O quinto episódio iria dar, mais tarde e já com o mistério descoberto, a um momento televisivo em que o apresentador Conan O"Brien, com Kine a seu lado, mediu - literalmente, com uma fita métrica - o ator Jake Gyllenhaal durante o seu talk show, Conan. Pois Kine e os seus amigos queriam saber, afinal, quanto media o ator de Zodiac, de David Fincher, ou Nightcrawler - Repórter na Noite, de Dan Gilroy. Mais uma vez, não se desvendará aqui a resposta.

Certo é que Gyllenhaal participou, por telefone, no programa e, qual policial, ainda conseguiu adensar o mistério e atrasar a verdade ao lançar frases como: "Há dias em que de certo pareço mais alto do que sou."

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.